Volume dos primeiros quatro meses do ano é 43% superior ao mesmo período do ano passado
Graciela Alvarez (Correio da Bahia)
A instalação de empresas, oriundas principalmente das regiões Sul e Sudeste, está gerando negócios, empregos e já até inseriu a Bahia no ranking nacional dos maiores exportadores de calçados do País. Segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), no primeiro quadrimestre deste ano, o estado exportou mais de três milhões de pares, volume 43% superior ao mesmo intervalo de 2007. Já a receita das vendas externas do período apresentou alta de 18,32%, e passou de US$25,1 milhões para US$29,7 milhões. Os dados colocam a Bahia como o quinto maior exportador nacional do produto.
O diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, acredita que o bom desempenho no período deve-se basicamente a dois fatores. Primeiro, à instalação de novas empresas calçadistas no estado. Segundo, pela abundância de mão-de-obra. “Não podemos esquecer também dos incentivos ficais que os governos estadual e federal vêm oferecendo para as empresas do setor aportarem na Bahia”, destaca ele. Quanto ao ranking dos estados brasileiros que mais exportaram, de janeiro a abril de 2008, ele diz que, em quantidade, foram: Ceará, com 26 milhões de pares, Rio Grande do Sul (21 milhões), Paraíba (nove milhões), São Paulo (quatro milhões) e Bahia (três milhões). Já em volume de recursos, a ordem é: Rio Grande do Sul, com US$390 milhões, Ceará (US$115 milhões), São Paulo (US$390 milhões), Paraíba (US$30 milhões) e Bahia (US$30 milhões).
A maior rede de calçados do Brasil, a Vulcabrás, que conta com 17 fábricas na Bahia, exportou, no primeiro quadrimestre deste ano, 390 mil pares de calçados produzidos no estado. O volume, que corresponde a um crescimento de 61% em relação ao mesmo período de 2007, soma US$5,4 milhões, que corresponde a uma majoração de 156%. De acordo com o diretor-presidente da companhia, Milton Cardoso, atualmente, o único produto que sai das fábricas da Vulcabrás baiana para o mundo é o tênis da marca Olympikus. “Recentemente lançamos ele na Argentina e foi um sucesso”, pontua, justificando o bom desempenho do primeiro quadrimestre de 2008 no estado. Segundo o dirigente, o país do mercosul é o principal comprador das peças fabricadas na Bahia.
Indústrias querem retomada dos incentivos
Apesar de comemorar o resultado positivo, Milton Cardoso Cardoso diz que se o governo estadual não retomar os incentivos fiscais concedidos anteriormente pelo Programa de Incentivo ao Comércio Exterior (Procomex), as exportações de calçados se tornarão inviáveis em breve. “Com o dólar em baixa e sem incentivos específicos para exportações oferecidos pelo Procomex, não teremos como prosseguir. Porém, acreditamos que o governo estadual, através da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração, vai buscar uma maneira para voltar a beneficiar as exportações do segmento”, pontua o dirigente, complementando que, somente nos quatro primeiros meses do ano, a Vulcabrás produziu 4.072 pares de calçados na Bahia, entre tênis Olympikus e sandálias da marca Opanka.
Sem revelar detalhes, o superintendente da SICM, José Pondé, informou apenas que o Procomex foi extinto porque impactava significativamente na receita do estado. “O programa foi extinto porque estava muito oneroso. Mas, vale ressaltar, que já estamos estudando uma forma de resolver essa situação. Não podemos deixar de lado um setor que emprega muita gente”, declara Pondé, informando que hoje cerca de 50 mil pessoas estão empregadas nas fábricas de calçados da Bahia. Ele diz ainda que o governo estadual está tentando resolver os problemas gerados com a extinção do Procomex, para posteriormente desenvolver outro programa de beneficiamento do setor. “Não podemos deixar as empresas fecharem e nem deixar de investir no estado”, completa Pondé.
23/05/2008