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Brazilian Footwear
 

A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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21.07.2010
Alerta e otimismo no setor calçadista
 

Se por um lado o setor calçadista comemora uma excelente fase de crescimento de produção e geração de empregos, por outro está alerta com a “inexplicável” elevação das importações de calçados procedentes de países asiáticos não tradicionais fornecedores, como Malásia e Indonésia, além do Vietnã. O sinal amarelo foi acionado pela Abicalçados durante a Francal 2010, que ocorreu de 5 a 8 de julho, em São Paulo/SP. Tanto no discurso de abertura da feira como nas duas coletivas de Imprensa, Milton Cardoso, presidente da entidade, reiterou a urgência do Governo Federal em aplicar a Lei 9019/95 (Lei da Circunvenção), que estende a medida antidumping – já adotada contra os calçados chineses - para estes países, inibindo assim a prática da triangulação.
 
Segundo levantamento da Abicalçados, houve também um crescimento excessivo nas importações vindas da China de cabedais e partes de calçados. De janeiro a junho deste ano, ocorreu uma elevação de 1.729% nos pares de cabedais (parte de cima do calçado) e de 578% nos quilos de partes de calçados (solas, solados e outros). A variação das importações, somando calçados, cabedais e partes, é de 8,5%. “Temos que aumentar a fiscalização da entrada destas mercadorias, pois certamente está havendo equívocos na documentação”, assinala Cardoso.

Chama a atenção também o volume de pares importados da Malásia, Vietnam e Indonésia. De janeiro a junho deste ano, o Brasil comprou da Malásia 21 mil por cento a mais de pares, passando dos onze mil pares importados no mesmo período de 2009, para 2,5 milhões. Do Vietnã vieram 3,5 milhões de pares, 109% a mais, enquanto da Indonésia chegaram 1,3 milhão, uma elevação de 55%. “É surpreendente a participação destes países em tão pouco tempo e temos que investigar”, aponta Cardoso. “Não é somente porque antes estes países não exportavam, é porque sabemos que não é fácil substituir o fornecedor de uma hora para outra”, acrescenta Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados.


Investimentos terão forte retomada este ano

Mantendo os olhos atentos à triangulação, a indústria calçadista projeta crescimento de produção e de consumo no mercado interno. Em 2010, o setor deverá ter um incremento de 5,5% no volume de pares fabricados, hoje estimado em 814 milhões de pares. Os investimentos irão registrar, em valores, um aumento de 11,5%, atingindo cerca de R$ 500 milhões. Esta projeção deverá equilibrar os recursos de 2009, quando o setor havia investido R$ 423 milhões em valores nominais, o que representou uma queda de 12% sobre 2008. “Estamos esperando uma forte retomada neste indicador”, aponta o economista Marcelo Prado, diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), responsável pelo Relatório Setorial da Indústria de Calçados do Brasil. Segundo ele, o consumo aparente de calçados deverá passar de 717 milhões de pares para 730 milhões. O varejo, por sua vez projeta registrar um índice de 12%, sendo que em 2009 a elevação, segundo a Associação Brasileira dos Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac) havia sido de 3,2%. “Com a retomada da produção em 2010, espera-se fechar o ano apenas 2% abaixo de 2005 (ano recorde de produção) em pares e 5% abaixo em valores nominais”, estima o economista.

Empregos - O número de empregos também está positivo. De janeiro a maio, foram geradas 34,3 mil novas vagas, sendo que o acumulado do ano aponta 354,2 mil trabalhadores diretos, contra 320 mil no mesmo período do ano passado.  “Acredito que podemos atingir a cifra recorde de 400 mil empregos ainda este ano”, aponta Milton Cardoso, em uma referência à projeção feita em março deste ano, após a implantação da medida antidumping, quando o setor havia se comprometido a gerar este número de empregos em dois anos.

Francal confirmou momento positivo

A 42ª edição da Francal não movimentou somente os pavilhões do Anhembi com os 53 mil visitantes que circularam no complexo durante o evento. A mostra também confirmou o bom momento vivido pela economia brasileira. Os mais de 1,2 mil expositores que apresentaram suas coleções de primavera-verão 2010/2011 saíram satisfeitos com um mercado interno aquecido e um cenário internacional em recuperação.

Em reportagem na versão online, o jornal Exclusivo consultou vários expositores que demonstraram que a previsão de aumento na produção será confirmada. Segundo a publicação, o diretor da Ferricelli (Franca/SP), Fabrício Parra, salientou que a feira foi uma das melhores edições que a empresa já participou. “Quem entrou no estande, comprou”, afirma, ressaltando que o primeiro semestre já havia sido positivo, mas que o pontapé para as vendas do segundo momento do ano foi melhor ainda. “Superamos nossas expectativas em negócios, mas também contamos com a aprovação dos lojistas”, acrescentou.

Negócios - Apesar da mostra ser encarada mais como uma forma de estabelecer e manter contatos com o mercado, a comercialização foi 30% maior em relação ao evento de 2009, quando o mundo atravessava uma grave crise econômica. Para o segundo semestre, a estimativa, segundo Parra, é crescer 20% em produção e faturamento.

Mais surpreendente foi o crescimento das vendas ‘in loco’ da Cor da Flor (São João Batista/SC), que afirma ter comercializado 80% a mais em relação à Francal anterior. Segundo o diretor Rogério Dalcenter, a visitação foi muito boa. “Inclusive, fechamos negócios com importadores da Bolívia e Chile, além de deixar outros agendados para o pós feira”, conta, ressaltando que a mudança com relação ao ano anterior foi mais radical no mercado interno, mas que também ocorreu no cenário internacional.

A aceitação da coleção, com destaque para as rasteiras, foi um ponto positivo da participação. A meta de empresa é crescer 30% no segundo semestre, sendo que a produção já irá saltar de 1,8 mil pares diários para 3 mil em agosto.

Desempenho - A Calçados Bibi (Parobé/RS) é outra empresa que teve um evento positivo. “Estamos tendo um retorno excelente das coleções, principalmente a assinada pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga”, pontua o gerente nacional de vendas, Alexandre Martin. Segundo ele, o início promissor do segundo semestre representado pela Francal, faz com que a estimativa de vender 80 mil pares no mercado doméstico, entre feira e pós-feira, se torne uma realidade bem próxima. “Existe uma vontade muito grande dos lojistas em realizar as compras já na feira”, aponta o gerente para quem a empresa deve comercializar 30% mais do que na edição anterior.

ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear



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