A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) assinou nesta quinta-feira (3) um acordo de intenções com a Associação Italiana das Indústrias de Calçados (ANCI) visando ampliar o comércio bilateral. O protocolo foi entregue à noite ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que visitou a 40ª Francal – Feira Internacional de Calçados, que se encerra hoje (4) no Parque Anhembi, em São Paulo.
Atualmente, a balança comercial calçadista entre os dois países não está equilibrada. O Brasil exportou, em 2007, cerca de dois milhões de pares para aquele país, enquanto o volume da Itália não chegou a 70 mil pares. O que as entidades estão pedindo é a redução para zero da atual alíquota de importação de 35%, cobrada pelo Brasil e dos oito por cento exigidos pela Itália. A decisão de alterar o atual sistema é dos governos federais. A Abicalçados também irá negociar a redução em nível de Mercosul, em reuniões marcadas com representantes da Argentina e do Uruguai. “A Itália é um concorrente leal, que preza a saúde dos seus trabalhadores e o desenvolvimento sustentado”, afirmou Milton Cardoso, presidente da entidade, logo após a assinatura do documento. A Comunidade Européia também será acionada a apoiar a iniciativa.
A ANCI tem mandato na Confederação Européia da Indústria de Calçados. O vice-presidente da ANCI, Andrea Brotini, destacou que o Brasil é um mercado de muito interesse para o setor italiano, pois é um dos países que mais vem crescendo e cujo padrão de consumo tem condições de adquirir um sapato da Itália, cujo preço médio (fob) hoje é de 84 euros. Além disto, a presença brasileira nas feiras italianas já está consolidada. Na Micam, uma das maiores feiras do mundo, o Brasil participa com mais de 30 empresas. Em janeiro do próximo ano, a ANCI pretende trazer para a Couromoda uma comitiva de empresários.
Ambos os países continuarão defendendo suas fronteiras contra a concorrência predatória de países como China e Vietnam. A Itália já tem um processo de anti-dumping contra os asiáticos e cobra deles uma tarifa de 24%. Já o Brasil quer manter os atuais 35%. Na avaliação de Milton Cardoso, a ampliação do comércio bilateral não será benéfica apenas para as empresas, mas também para o consumidor final, que terá a sua disposição calçados de maior valor agregado.
Elizabeth Renz
Assessoria de Comunicação Abicalçados/Brazilian Footwear