A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apresentou na tarde de terça-feira (27), o projeto Brazil Landed, que visa a ampliar as exportações de pequenos volumes de calçados brasileiros para os Estados Unidos. A iniciativa de criar este programa, segundo o diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, é acompanhar a mudança no modelo exportador nacional para aquele mercado, cujos grandes distribuidores estão reduzindo o volume de compras mas há um expressivo contingente de lojistas de menor porte, que optam por produtos de maior valor agregado em lotes menores. O projeto foi apresentado para um grupo de empresários na sede da entidade, em Novo Hamburgo/RS.
O Brazil Landed funcionaria a partir da contratação de um agente brasileiro em solo norte-americano, que seguiria uma sistemática para viabilizar as operaçãoes, de modo que o valor para o comprador seja reduzido. Pelo sistema de vendas FOB (Free on Board), por exemplo, bastante utilizado pelos fabricantes brasileiros, os compradores norte-americanos dobram ou muitas vezes triplicam os valores para o varejo. Já pelo sistema “Landed” o acréscimo no valor sobre o preço do par pode ficar entre 45% a 50%. Ao consolidar uma única entrega os diversos lotes vendidos pelas empresas, diversos custos seriam divididos e até mesmo reduzidos.
ESTRUTURA - Conforme Nelson Germann, consultor da empresa Spectrum, que será o contato do Brazil Landed nos Estados Unidos, o objetivo é fornecer uma estrutura completa para os fabricantes brasileiros naquele país. Isso inclui como a contratação de linhas de crédito, aquisição e operação de softwear de gestão para controle da distribuição dos produtos - de acordo com os sistemas utilizados pelas lojas de departamentos americanas -, centro de distribuição, fornecimento de apoio administrativo e central de atendimento ao cliente (esta seria em forma de call center, instalada em Novo Hamburgo/RS), para facilitar a comunicação entre o fabricante e o lojista. Nos EUA, a estrutura física ficaria sediada em Nova York e Miami. German estima que há um contingente de 3,5 mil lojistas norte-americanos com os quais o Brasil pode negociar através deste projeto.
Na avaliação de Klein, as pequenas cadeias independentes de varejo, alvo deste sistema, compram pequenas quantidades de cada modelo/cor de calçado (o que exige um processo de consolidação dos embarques de vários exportadores), não apreciam o trâmite aduaneiro (o que pode ser contornado pelo emprego do sistema “delivery-duty-paid”) e não aceitam operar com cartas de crédito ou pagamentos antecipados (o que demanda a intervenção de uma operadora de “factoring”). Mais, é imprescindível manter o cliente constantemente a par da evolução de sua ordem de compra nos diversos estágios da produção, do embarque e da distribuição local e, em razão da distância e, por vezes, da dificuldade de comunicação com o produtor, exige-se sistema de comunicação via telefone e internet.
O projeto também terá foco no investimento em marca própria por parte das empresas, estimulando assim a construção de uma imagem do calçado brasileiro nos mercados-alvo (posteriormente, o sistema será utilizado também na Europa). Para tanto, o grupo escolhido irá participar de feiras estratégicas, que serão definidas ainda neste semestre. A iniciativa integra o Brazilian Footwear, Programa de Apoio às Exportações, desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a Apex-Brasil (Agência de Promoção às Exportações e Investimentos), ligada ao Governo Federal.
O Brazil Landend será apresentado hoje (28) em São Paulo, capital e dia 30 em Franca.
HISTÓRICO – A exportação do calçado verde-amarelo para os Estados Unidos começou na década de 70, por iniciativa de grandes importadoras-atacadistas. No regime vigente à época, os compradores forneciam aos fabricantes o completo desenvolvimento do produto, assistência técnica e controle de qualidade, além da indicação de fornecedores e insumos. A marca e a embalagem promocional também eram do comprador.
Com o aprimoramento das manufaturas, o Brasil começou a investir em marca e design próprios, já no final da década de 90. Somada a esse novo modelo de comercialização, a valorização do real frente ao dólar influenciou diretamente na formação dos preços, que se elevaram.
Assessoria de Comunicação Abicalçados/Brazilian Footwear:
Elizabeth Renz
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Caren Souza
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