A Abicalçados fez novo alerta hoje, 21, sobre a preocupação com a queda dos empregos do setor calçadista. Em maio, ocorreu a primeira queda do ano, de 0,9%, representando a redução de 3.417 postos, segundo os dados obtidos junto ao Caged. A entidade manifestou sua inquietação em coletiva de Imprensa realizada em São Paulo/SP.
Milton Cardoso, presidente da entidade, lembrou que em outubro de 2008, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados lançou alerta sobre a queda do nível de atividade da indústria calçadista e, em consequência, do nível de emprego do setor. A principal causa apontada naquele momento era a massiva importação de produtos asiáticos favorecida pela valorização da moeda brasileira.
Em setembro de 2009, com a imposição do direito antidumping nas importações de calçados oriundos da China, observou-se em um primeiro momento uma queda nos volumes importados, o que animou a indústria e em momento de expansão da demanda doméstica, o consumo de calcados no país voltou a crescer ao ponto de recuperar os empregos perdidos e de gerar 40 mil novos postos de trabalho. Esta reação permitiu ao setor alcançar mais de 370 mil empregos com carteira assinada apenas nas fábricas de calçados, o que representa em torno de 4,5% dos empregos formais de toda a Indústria de Transformação brasileira.
Porém, quase que imediatamente, verificou-se o forte crescimento das importações de Hong Kong, Vietnam, Malásia e Indonésia, em boa parte por triangulação de produtos chineses com certificados de origem fraudados, assim batizados por nacionalidades não atingidas no processo original. A fraude é evidente em vários aspectos, mas em um apresenta-se de modo flagrante: em 2010 as estatísticas oficiais da China registram a exportação de 13 mil toneladas de calçados para o Brasil (equivalentes a cerca de 38 milhões de pares, mas as estatísticas brasileiras registram o ingresso de apenas 3,2 mil toneladas e calçados de origem chinesa (equivalentes a 9,4 milhões de pares).
O grande atrativo que impele estes movimentos está no elevado consumo doméstico aliado à valorização da moeda brasileira.
Alertado a respeito, o Governo Brasileiro promoveu, ainda no ano passado, a regulamentação da legislação que permite a extensão das tarifas originais às importações fraudulentas. Resta agora que sejam efetuados ajustes no sistema de intercâmbio de informações da máquina pública (Ministério da Fazenda e MDIC) para que o processo protocolado pela Abicalçados em janeiro de 2011 finalmente possa seguir seu curso.
Enquanto isso e infelizmente, confirmam-se os prognósticos feitos pela Entidade ao longo dos últimos meses: caem as exportações; crescem as importações; a produção nacional de calçados apresenta quedas sucessivas; os níveis de emprego, em conseqüência, já mostram saldos negativos a partir de maio.
Todos estes movimentos apontam para o que alguns especialistas chamam de “desindustrialização’’ do País.
“Com a mesma ênfase que em 2008 a Abicalçados alertava para as perspectivas sombrias que se confirmaram e motivaram a demissão de mais de 42 mil trabalhadores em apenas um trimestre e o fechamento de dezenas de fábricas de calçados, a entidade volta a cumprir sua função de chamar a atenção para esta nova perspectiva negativa’’, aponta Milton Cardoso, presidente da associação.
A queda da produção industrial nos primeiros meses deste ano, de 12,4%, não se explica pela queda do comércio que cresceu mais de 7% no período, mas sim pelo crescimento contínuo e expressivo das importações.
O fato de que as indústrias tenham mantido as contratações neste período apenas amplia o fato de que há um excedente de emprego para o volume das vendas realizadas. “Esta circunstância é claramente identificada na queda recente da produtividade industrial que recua de modo inédito para este período do ano. Isto aumenta o nível de desequilíbrio que irá resultar em demissões massivas. A Abicalçados já vem alertando há alguns meses para isto e, infelizmente, a queda no emprego de maio apenas confirma o início deste ciclo’’, reitera o dirigente.
O presidente da Abicalçados acredita que uma nova avalanche de importações inundará o mercado brasileiro no segundo semestre, com vistas a abocanhar os pedidos do período natalino e a compensar a perda de dinamismo nos mercados estagnados dos EUA, Europa e Japão. “Serão, em sua esmagadora maioria, calçados chineses com certificados de origem fraudados para fugir à tarifa antidumping’’.
Na opinião da Abicalçados, as autoridades de Defesa Comercial do Brasil possuem todas as condições para monitorar esta tendência e de interferir para evitar esta catástrofe anunciada contra a indústria e os trabalhadores do setor de calçados e que está para ser perpetrada com base em fraudes evidentes e já denunciadas.
Mais informações: ASCom Abicalçados
Elizabeth Renz - imprensa@abicalcados.com.br
Caren Souza - caren@abicalcados.com.br