Abertura da 41ª Francal girou em torno do peso das importações de calçados
“A indústria brasileira de está preparada para fabricar qualquer tipo de produto. O que o setor calçadista não aceita é trabalhar por US$ 50, seis dias da semana, dez horas por dia, sem férias”, declarou Milton Cardoso, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), durante a abertura oficial da 41º Francal, em São Paulo/SP. A frase foi uma resposta às alegações do contraditório no que se refere à investigação de dumping, que argumenta que a importação de calçados chineses é necessária em função de o Brasil não estar preparado para produzir certos tipos de calçados. A investigação é realizada pelo Governo Federal e ainda não foi concluída.
“Não há país no mundo que tenha uma cadeia calçadista mais completa que a nossa, que possui não apenas fábricas, mas faculdades, escolas técnicas, criadores e uma série de recursos que criam um contingente de especialistas do setor”, disparou o presidente da entidade, lembrando que a fabricação de calçados no Brasil tem uma tradição de 200 anos. É um setor pujante na economia brasileira, com a fabricação distribuída atualmente em diversos Estados. “Aqui na Francal temos oito estandes apoiados pelos governos estaduais, de regiões produtoras de calçados. Isso demonstra a importância do setor”, arrematou.
Demissões - Cardoso apontou ainda que a situação, já drasticamente prejudicada pela entrada massiva de calçados chineses, foi agravada com a crise econômica mundial. “Antes da crise não prevíamos o surto de demissões. Somente no último trimestre do ano passado foram cortados 42 mil empregos no setor. Este ano ainda está complicado, pois muitas empresas estão concedendo férias coletivas, mas mantendo um esforço para evitar novas demissões”, explicou.
Importações - O dirigente da Abicalçados elogiou o desempenho do varejo brasileiro, que conseguiu crescer em torno de 5% no primeiro semestre deste ano, porém lamentou que parte destas vendas tenham sido de importações. “É uma pena que a robustez do mercado interno não seja fortemente aproveitada pela indústria brasileira, mas por uma invasão de calçados chineses, que são desovados aqui”, sustentou.
Momento de esperança para os negócios
O presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, acredita que esta edição será a feira da esperança e da confiança. “Ao longo do ano, trabalhamos fortemente para divulgá-la, não só para expositores e compradores, mas no sentido de que todos os envolvidos se comprometessem com o sucesso do evento”, destacou. São 49 mil metros quadrados de feira, área considerada pelo presidente da Francal como uma das maiores já ocupada por uma feira no pavilhão do Anhembi, em São Paulo/SP.
“Estamos com muita vontade, esperança e confiança para os meses que virão. Creio que iremos recuperar tudo o que ficou para trás, e o segundo semestre será de muito sucesso para o setor, com a concretização de negócios alavancados aqui”, projetou. Participaram também da cerimônia de abertura a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius; o secretário do Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin; o deputado federal Renato Molling; o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamoto; o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf; o secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos; O presidente da Associação Italiana das Indústrias de Calçados, Vito Artioli; o presidente da Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados e Artefatos, Marconi dos Santos; o presidente da Couromoda, Francisco Santos; o prefeito de Franca, Sidnei Franco da Rocha; o prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, e o líder do governo na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
Elizabeth Renz – imprensa@abicalcados.com.br
Caren Souza – caren@abicalcados.com.br
14/07/2009