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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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03.01.2011
A indústria latino-americana de hoje e amanhã
 

O portal APLF, para comemorar sua 100ª edição, publicou a avaliação dos principais líderes latino-americanos sobre o desempenho dos seus setores ao longo de 2010 e expectativas para 2011. A motivação vem dos números que a região apresenta, o que a torna um importante player global, além de ser geradora de mão de obra e de renda. As indústrias do couro, calçados e artefatos de couro da América Latina são responsáveis por 35% dos couros do mundo e fabricam mais de 1,3 bilhão de pares de calçados. O site aponta ainda que, depois de um 2009 difícil e carregado de temores por causa da crise internacional, a região viveu em 2010 um ano de alívio e de recuperação. Grande parte dos melhores resultados veio do mercado interno de seus países. “Políticas sensatas” fizeram com que mostrassem um nível de atividade e um crescimento invejados pelos países industrialmente mais desenvolvidos.

BRASIL
Milton Cardoso - Presidente da Abicalçados
“O ano de 2010 foi positivo em muitos sentidos. No que se refere ao mercado interno, pode-se dizer que a indústria teve grandes avanços. Com a medida antidumping contra o calçado chinês instituída de forma definitiva, os fabricantes começaram imediatamente a receber uma grande demanda de pedidos e, consequentemente, os índices de emprego aumentaram. O volume de empregados foi crescendo mês a mês, atingindo, em outubro mais de 375 mil postos de trabalho.
 
Para 2011, porém, não podemos afirmar que estes indicadores se manterão positivos. Há fortes indícios de triangulação, ou seja, importação de produtos chineses via terceiros países que, caso não seja fiscalizada, representa séria ameaça aos empregos brasileiros. A Abicalçados vai trabalhar de forma muito forte em 2011 para monitorar as importações. Já solicitamos a extensão da medida antidumping para estes países.

Em relação às exportações, as notícias melhoraram, sendo que até o mês de setembro foi registrado aumento de 16,4% no volume embarcado. Há sete anos não registrávamos alta nas vendas externas. Esse indicador positivo, contudo, não alimenta a certeza da continuidade desse acréscimo em função da defasagem cambial. Há que se lembrar, ainda, que o crescimento nos embarques representou somente uma recuperação das perdas nos embarques de 2008 – ano que fechou com queda de 6,4% nas exportações.

A supervalorização do real em relação ao dólar não é problema recente para os exportadores, mas parece que está caminhando para indicadores recordes, colocando em risco a segurança de negócios conquistados pelos exportadores”.

Wolfgang Goerlich - Presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e presidente do International Council of Tanners (ICT).
“O ano de 2010 foi um ano de recuperação da crise de 2009. Apesar da nossa moeda supervalorizada e da excessiva carga tributária, a indústria curtidora brasileira conseguiu resultados positivos. O valor das exportações deve chegar a US$ 1,7 bilhão, 46,5% mais do que em 2009, mas ainda 9,5% abaixo de 2008. Para alcançar este resultado foi necessário exportar um número de couros superior ao de 2008 significando que ainda não foi possível atingir o preço médio das exportações de 2008. Tivemos um crescimento forte do mercado doméstico, mas a participação do couro foi relativamente menor frente à forte concorrência de materiais alternativos.

É muito difícil fazer prognósticos para o ano de 2011. A lenta recuperação da economia norte-americana e os problemas sérios na Comunidade Europeia afetarão também a economia chinesa apesar do seu forte crescimento interno. Com o contínuo enfraquecimento do dólar, dificilmente a relação do real frente ao dólar melhorará em favor das exportações brasileiras.

A forte expansão do mercado doméstico provavelmente sofrerá restrições pelas anunciadas medidas do novo governo para combater o recrudescimento da inflação. Teremos, portanto, um ano muito difícil pela frente”.

ARGENTINA
Raúl Zylberszyein - Presidente da Câmara Industrial das Manufaturas
do Couro e Afins (CIMA)
Devido à situação de crise econômica nos mercados mais exigentes, o mundo teve uma oferta excessiva de produto que buscou mercado para poder descarregar seus estoques. O governo argentino implantou uma série de medidas que fizeram com que essa crise externa não invadisse nosso mercado, protegendo a produção e os empregos no país.

Nos produtos manufaturados em couro, a Argentina é altamente competitiva e não precisou de medidas especiais. Embora as suas exportações tenham sofrido alguma limitação, aos poucos os volumes estão voltando aos seus níveis originais.

Em 2011, continuaremos com a mesma política para a produção local de artefatos em materiais têxteis e vinílicos. Quanto ao couro, 2011 será muito difícil em nível internacional devido à escassez desta matéria prima decorrente dos abates reduzidos em todo o mundo, especialmente na Argentina. Isto será uma oportunidade para a Argentina, pois como farão todos os países, limitará a exportação de couro nas etapas iniciais do processo de industrialização, tornando-se assim num importante player na área de manufaturas de couro.

Alberto Sellaro - Presidente da Câmara da Indústria do Calçado, CIC
O setor de calçados da Argentina se beneficiou com o cenário favorável à produção que tem se apresentado para o país nos últimos anos. Hoje, a indústria conta com mais de mil fábricas funcionando e estima-se que, neste ano, superará um novo recorde histórico com uma produção local superior a 100 milhões de pares. Isto é o resultado de importantes investimentos nacionais, com a instalação de fábricas de capitais estrangeiros, alcançando 65 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
 
Desta forma, entre 2001 e 2010 a indústria poderia chegar a crescer 175% em termos de produção. As razões que explicam estes bons resultados são muitas. Em nível macroeconômico, combinaram-se o modelo produtivo impulsionado pelo atual Governo e a solidez do mercado interno. Em nível microeconômico, as fábricas locais de calçados se fortaleceram através de investimentos, incremento de escala e aumento do número de empregados.
 
Estamos concentrados no desafio de potencializar a presença dos calçados argentinos no exterior com várias iniciativas. A CIC formou um consórcio exportador de calçados, o Walk Argentina, que está se preparando para a busca de mercados externos e o desenvolvimento da estrategia de internacionalização. Considerando que a grande maioria são pequenas e médias empresas, o projeto apresenta numerosas vantagens como a preparação em grupo para a exportação compartilhando custos, investimentos, riscos e benefícios da estratégia conjunta.

COLÔMBIA
Luis Gustavo Flórez - Presidente da Associação Colombiana das Indústrias de Calçados, Couros e seus Manufaturados (ACICAM)
O ano de 2010 foi um ano de recuperação. Enquanto 2009 foi negativo, o período janeiro-agosto 2010 mostrou sinais encorajadores. As unidades de produção registraram um crescimento de 26,3% em artigos de couro, 9,1% em calçados e 6,1% em curtimento de couro. As vendas da indústria mostram um padrão semelhante, marcadas por aumento de pedidos no setor comercial. As vendas ao consumidor têm mantido uma taxa de crescimento próxima a 10% durante 2010, o que ajudou a indústria nacional.
 
No mercado externo, as exportações acumuladas até agosto, registraram uma queda de 32%, variação que é explicada principalmente pelo fechamento do mercado venezuelano, que diminuiu em 91%. No entanto, os empresários têm feito um esforço significativo em termos de diversificação de mercados, para que as vendas externas, excluindo a Venezuela, crescessem 121% no couro, 23% nos artefatos de couro e 32% nos calçados e suas partes. Com relação à importação, o que preocupa é a contínua reavaliação da taxa de câmbio, ou seja, a valorização da nossa moeda, reduzindo ainda mais os valores das importações provenientes de países asiáticos, a um baixo custo.

Com relação à demanda interna, a indústria deverá manter o ritmo registrado em 2010, ou seja, crescimento dos pedidos e vendas em cerca de 10% no próximo ano. Essa expectativa baseia-se no fato de que a economia colombiana continuará a crescer. A demanda por produtos do setor sofreu e a indústria colombiana identificou nichos de mercado que não puderam ser supridos pela produção de baixo custo.

Pelo lado das exportações, a indústria vai continuar no processo de diversificação de mercados. A ideia é de que sem deixar de atender mercados tradicionais como EUA, Venezuela e Equador, se incremente a presença de produtos colombianos em mercados como Peru, Chile, México, Canadá, Caribe e alguns países europeus.

MÉXICO
Roberto Novoa - Presidente da Associação Nacional de Fornecedores à Indústria do Calçado (ANPIC). 
2010 tem sido um ano de desafios devido à lenta recuperação da economia mundial. Entretanto, o setor mexicano de fornecimento às indústrias de couro e calçados teve a capacidade de retomar seu ritmo de crescimento, em grande parte pelo compromisso e esforço do setor empresarial para manter as fábricas produtivas e conservar as fontes de emprego.
 
Em 2011, esperamos manter o ritmo de crescimento tanto no mercado interno quanto nas exportações, que dependerão do comportamento do câmbio. É de vital importância lembrar que, no dia 11 de dezembro de 2011 finaliza o processo de levantamento de tributos estabelecido no “Acordo entre o Governo dos Estados Unidos Mexicanos e o Governo da República Popular da China Referente às Medidas de Remédio Comercial”.  É fundamental que as empresas lembrem-se da importância de se preparar quanto à moda, qualidade, serviço, tempo de resposta e inovação para poder competir a curto, médio e longo prazos.

EQUADOR
Lilia Villavicencio - Presidente da Câmara de Calçado de Tungurahua (Caltu)
As medidas econômicas implantadas corretamente pelo governo do presidente Rafael Correa, após o ano de 2009, permitiram um crescimento significativo na produção de calçados nacionais, cerca de 30% desde 2009. Nós começamos a produção em 2008 com 15 milhões de pares e até o final de 2009 foram 21 milhões de pares e até no final de 2010 deverá ascender para 29 milhões de pares por ano, o que mostra um aumento substancial na fabricação de calçados.

Este ano, da mesma forma, graças à nova política tarifária implantada pelo governo desde junho de 2010, os fabricantes tiveram um aumento na produção e na mão de obra, o que significou a melhoria do setor nacional. Houve também programas para melhorar a qualidade dos produtos, em áreas de capacitação e assistência técnica, para fortalecer este setor dinâmico que movimenta cerca de 100 mil pessoas na cadeia produtiva.

Nós olhamos para 2011 com otimismo. Sem dúvida, lidamos com a perspectiva de um aumento substancial na produção, na ordem de 25%. A demanda doméstica será atendida pela produção local e para isso os empresários serão treinados em várias disciplinas, tais como moda, design, tendências, cores, dentre outras. Tudo isso dará um valor agregado aos produtos, que se destacarão nas prateleiras das grandes redes de varejo. Por outro lado, não descartamos a possibilidade de expandir o mercado externo, com produtos de qualidade, moda e preço competitivo, permitindo-nos a encontrar espaço no contexto internacional.

Fonte: Asia Pacific Leather Fair



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