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Setor percebe recuperação gradual

O segundo semestre do ano passado já apontava uma curva ascendente nos números do setor. No entanto, não foi suficiente para reverter a queda, especialmente ante um primeiro semestre muito ruim. Desta forma, fechamos aquele ano com produção e varejo menores, 1,3% e 1,6%, respectivamente. O mesmo ocorreu com as exportações, que despencaram 10%.

Já os dados de 2019 apontam para outro cenário. Com a recuperação da demanda interna, a queda – ainda tímida, mas gradual – no desemprego, o varejo iniciou o ano mais otimista, o que foi refletido na Couromoda, em janeiro. Embora ainda não tenhamos o dado relativo ao varejo do primeiro mês deste ano, a percepção é de que foi positivo em relação ao mesmo período de 2018. Mas o que parece que irá puxar o setor em 2019 é mesmo a exportação. Os números dos dois primeiros meses foram bons, de incrementos de 16% em receita de 26% em volume na relação com o mesmo período do ano passado (leia matéria na página 7). A tendência é puxada pelo relevante incremento das exportações para os Estados Unidos, nosso principal mercado no exterior.
 
Outro fator de impacto no resultado dos embarques é a volatilidade cambial. No ano passado, e nos mais recentes, a moeda norte-americana oscilou de forma considerável, seja pelas constantes crises políticas ou pelo aumento da taxa de juros do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos). O fato, somado à forte crise registrada pela Argentina e as indefinições na macroeconomia internacional, foi determinante para a queda na performance brasileira no mercado. 

Recentemente, fui convidado para participar de um painel intitulado “Os caminhos para exportação de calçados”, realizado durante a Fimec. Lá, ao lado de especialistas no assunto, foi tratado o impacto do câmbio nas exportações de calçados. Realizando um histórico das exportações de calçados do Brasil, os painelistas foram unânimes em destacar o impacto da oscilação cambial nos embarques, especialmente a partir de meados dos anos 90, com a adoção do Plano Real, que equiparou a nova moeda brasileira ao dólar. Antes da nova moeda, em 1993, chegaram a ser embarcados mais de 200 milhões de pares, número que caiu para 138 milhões dois anos depois. No ano passado, foram 113 milhões de pares.

Desta forma, algumas situações postas nos deixam mais otimistas com relação ao ano que inicia. A maior estabilidade no Brasil, a retomada da confiança por parte de empresários, investidores e consumidores, e até mesmo a sinalização de que o governo estadunidense deve conter a elevação das taxas de juros do Federal Reserve, devem dar uma maior estabilidade à moeda. A guerra comercial travada entre os Estados Unidos e a China também devem refletir positivamente nas exportações de calçados brasileiros, já que os importadores daquele país vêm buscando diversificar seus fornecedores – hoje, 70% deles chineses. Apesar dos problemas de competitividade causados pelo alto custo de se produzir manufaturados no Brasil, temos uma indústria com grande potencial, que mesmo com todos os obstáculos envia seus produtos para mais de 160 países, além de ter uma demanda interna importante de mais de 800 milhões de pares por ano. 

Agora é torcer pelo novo Brasil que nasce, torcer pelas reformas estruturais urgentes e por dias melhores, que, pelo andar da carruagem, certamente virão!