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Novos dirigentes falam sobre futuro da entidade e do setor

CAETANO BIANCO NETO

Nascido em janeiro de 1955, casado e pai de três filhos, o novo presidente do Conselho Deliberativo da Abicalçados, Caetano Bianco Neto, tem longa ligação com o calçado.  Mais especificamente desde 1975, quando seu pai, então classificador de café, decidiu buscar novos ares e fundou uma pequena indústria de calçados em Jaú/SP. Em 1990, ele criou sua própria fábrica, a Arzano, na mesma cidade. 

Abinforma – Desde quando trabalha com o setor?
Caetano Bianco Neto –
Há, pelo menos, 44 anos, quando meu pai fundou uma pequena empresa em Jaú e me chamou para trabalhar com ele. Também tenho uma atuação política. Já fui secretário de Desenvolvimento de Jaú no início dos anos 2000, quando conseguimos qualificar a mão de obra para o setor – um problema latente naquela época –, trazendo cursos específicos para a área.

Abinforma – Tiveste também uma passagem como professor na Fundação Educacional Dr. Raul Bauab - Jahu... conte um pouco sobre a experiência.
Neto –
Fui professor da área de Vendas e Marketing no curso de Administração de Empresas. Penso que dar aula é se manter eternamente jovem. Gosto muito da atividade, é uma característica que trago até hoje, e se pudesse continuaria exercendo. Antigamente, quando lecionei, conseguia conciliar com a atividade na fábrica, algo que hoje seria impossível, especialmente pela profissionalização do ensino.

Abinforma – Também tens uma longa ligação com o Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú...
Neto –
Sim, desde sempre gostei da atuação política, com entidades e poder público. O Sindicato foi fundado com a minha participação, há mais de 40 anos, quando conseguimos unir uma classe que era extremamente desunida. Tivemos algumas batalhas importantes, como a questão do resíduo industrial, que hoje é 100% descartado corretamente.  Seguirei como presidente do Sindicato, conciliando a atividade com a presidência do Conselho da Abicalçados para o próximo triênio. 

Abinforma – E sua ligação com a Abicalçados, quando começou?
Neto –
Comecei a me aproximar mais da entidade durante a gestão do presidente Nestor de Paula, que conhecia da época em que atuei como diretor da Ciesp. A partir do ano 2000, passei a integrar o Conselho da entidade e não sai mais.

Abinforma – E esse desafio da presidência, como surgiu?
Neto –
Fui convidado para esse desafio, especialmente, pela minha experiência e ligação com os setores empresariais, entidades e o governador de São Paulo, João Doria.  

Abicalçados – Qual a sua avaliação com relação aos primeiros meses do governo Bolsonaro?
Neto –
Estava mais otimista no início do ano, com a possibilidade de acelerar as reformas tão necessárias para o Brasil. O fato ainda não se concretizou, mas seguimos acreditando de que vá ocorrer ainda nesta gestão.

Abicalçados – E quanto à proposta de redução na tarifa de importação, prometida pelo ministro da Economia Paulo Guedes?
Neto –
Friso que essa proposta vem acompanhada da promessa de redução do Custo Brasil na mesma proporção. Ou seja, se a tarifa de importação diminuir de 35% para 15%, o custo para se produzir no País também deverá reduzir em 20%. Sendo dessa forma, acredito que será bom para a indústria, pois vai manter o nível de competitividade no mercado doméstico – com os importados – e irá ampliar nossas possibilidades no exterior, pois teremos a oportunidade de trabalhar com preços mais competitivos. Porém, neste momento, penso que é muito importante manter o diálogo com o Governo e o Legislativo, até mesmo para cobrar que essa redução venha acompanhada, efetivamente, de uma diminuição do custo de produção.

Abinforma – Qual a importância da Abicalçados para o desenvolvimento do setor?
Neto –
A Abicalçados é fundamental. Muitas empresas não fazem ideia do quanto fazemos, da quantidade de projetos de apoio e das batalhas que travamos... Temos muitos exemplos, caso da Logística Reversa, em que a entidade desenvolveu um sistema para os associados, que estariam passíveis de multas caso não aderissem.

Abinforma – Quais serão os principais desafios de sua gestão?
Neto –
O primeiro desafio é manter o que está dando certo. O segundo é ampliar a ideia de associativismo, fazer com que essa chama brilhe cada vez mais. A unidade das empresas é fundamental sempre, ainda mais neste momento complicado. O terceiro é preparar o setor para a revolução da Indústria 4.0, com as mudanças de mercado, de consumo, nas profissões, com uma gestão voltada à inovação em todas as áreas. Por último, mas não menos importante, é seguir representando o setor por meio de pleitos que visem dar melhores condições de competitividade, especialmente com a redução do Custo Brasil.


HAROLDO FERREIRA

Anunciado como sucessor do presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, Haroldo Ferreira está desde fevereiro deste ano acompanhando o dia a dia da entidade. Aos 52 anos, casado e com dois filhos, Ferreira é natural de Rolante/RS e preside, desde 2005, o Sindicato das Indústrias de Calçados da Bahia, cargo ao qual se desliga assim que assumir oficialmente o posto na Abicalçados.

Abinforma – Como iniciaste a carreira no setor? 
Haroldo Ferreira –
Iniciei meus trabalhos em 1983, na área administrativa e fiscal da Musa Calçados, grande exportadora da época, que tinha matriz em Sapiranga/RS. Fiquei lá até 1986, quando fui para a Azaleia, em Parobé/RS, empresa na qual fiquei até 2008 e exerci diversos cargos até ser diretor de Recursos Humanos.

Abinforma – Sobre a experiência de trabalhar tanto tempo em uma empresa tão importante como a Azaleia?
Ferreira –
Foi uma experiência interessante. Trata-se de uma empresa referência do setor, tanto no controle de processos, com muita tecnologia aplicada, como na questão social, que sempre foi muito trabalhada pelo ex-presidente do grupo, Nestor de Paula, que também foi presidente da Abicalçados. Aprendi muito neste tempo, e depois com o presidente Antônio Britto, com a profissionalização da Azaleia, quando assumi a diretoria de Recursos Humanos.  A “escola Azaleia” colocou muita gente boa no mercado.

Abinforma – E a sua ligação com a Abicalçados, quando começou?
Ferreira –
Entrei para o Conselho Sindical da entidade em 2013, mas já trabalhava como interlocutor do setor para a criação de um anexo específico de calçados na NR 12 (norma de segurança para máquinas) desde 2008. Assim como o engenheiro Eduardo Michellon fazia a interlocução dos fabricantes de máquinas, eu fazia por parte dos calçadistas, com os sindicatos de trabalhadores e Governo. Foi um trabalho difícil, mas que culminou em sucesso e hoje temos uma segurança muito importante para empresários e trabalhadores do setor calçadista.

Abinforma – Qual a sua formação?
Ferreira –
Sou formado em Administração de Empresas, com pós-graduação em Administração da Produção e MBAs em Liderança e Gestão da Saúde.

Abinforma – Como avalias a situação do setor calçadista? 
Ferreira –
O setor encolheu, especialmente por culpa da conjuntura econômica nacional e internacional dos últimos anos. Hoje, temos uma capacidade produtiva muito maior do que de consumo. O grande entrave é justamente a demanda desaquecida em função dos índices de  desemprego e inadimplência. Na questão internacional, temos um problema grave de competitividade relacionado ao Custo Brasil, obstáculo que temos esperança de que o governo atual resolva, em boa parte, ainda nesses quatro anos.

Abinforma – Fala-se muito na Reforma da Previdência. Como ela, de fato, vai ajudar o setor?
Ferreira –
Não afetará de forma direta, mas indireta, com o país mostrando que tem futuro. Com a Reforma em questão, o mercado deve retomar a confiança por parte dos investidores nacionais e internacionais. Com maior investimento privado, se gera mais emprego e com mais emprego se gera mais consumo e a roda volta a girar. Após a Reforma da Previdência, é preciso trabalhar a pauta fiscal, que terá grande impacto na competitividade. 

Abinforma – Quais são os principais desafios de sua gestão?
Ferreira –
Precisamos trabalhar a questão das substâncias restritas no calçado, por meio do CB-11, grupo que visa criar uma norma neste sentido. Com isso, ganharemos mercados importantes, especialmente nos Estados Unidos e Europa, que dão muita atenção à questão. Outro ponto é a aproximação com os sindicatos dos polos calçadistas de todo o Brasil, reforçando o associativismo. Também é preciso continuar e incrementar os projetos de adequação da indústria calçadista aos novos tempos, da chamada quarta revolução industrial.


 

Caetano Bianco Neto


Haroldo Ferreira