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Marketing digital é foco de seminário calçadista

O marketing digital, mais especificamente o realizado por meio dos chamados influenciadores, esteve no foco da 21ª edição do Seminário Nacional da Indústria do Calçado (SNIC), evento ontem (13) realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) na Unisinos, em São Leopoldo/RS.

Com nomes de peso, o evento contou com grande e qualificado quórum de mais de 250 pessoas. “Mais de 90% do público era de estudantes e criativos ligados ao setor”, ressaltou o gestor de Projetos da Abicalçados, Cristian Schlindwein. 

Citando cases, o primeiro palestrante foi o jornalista e professor Cristiano Santos, que falou sobre o poder das redes sociais e o papel das mesmas tanto no sucesso quanto no fracasso da marca.”Cerca de 60% das pessoas usam as redes sociais antes de comprar produtos”, frisou. Segundo ele, influenciadores digitais, anônimos ou não, são alternativas importantes e que devem fazer parte da estratégia comercial de qualquer marca que busque visibilidade e sucesso nas vendas. Gestão de crise também foi abordada por Santos. Para ele, quando num momento crítico, a marca age rapidamente – e com qualificação – ela tende a ganhar “advogados” para a defesa. 

Para a escolha dos influenciadores, o especialista destacou que existem alguns passos que devem ser seguidos pela empresa:  ouvir o mercado; escolher os canais nos quais atuar; abordar e interagir com os influenciadores; e ativar nas redes.  “Hoje existe uma tendência muito forte da utilização dos chamados microinfluenciadores, que tem até mil seguidores, mas possuem alto poder de engajamento, além de exigirem menor investimento”, comentou.  

Mercado em crescimento
A segunda palestra foi ministrada pelos diretores da W3haus, Tiago Niederauer e Patrícia Angeletti, que trouxeram dados do crescimento do mercado digital no Brasil e também o case de sucesso da TIC TAC. De acordo com os gestores, o marketing digital no País já movimenta mais de R$ 200 milhões por ano, sendo que o crescimento estimado para 2017 é de 26%. "Além disso, 34% das pessoas preferem comprar um produto endossado nas redes sociais, número que cai para 27% quando o assunto é TV”, afirmou Patrícia, ressaltando que a estimativa é de que para cada R$ 1 investido com influenciadores o retorno é seja de R$ 6 para a empresa. “E o Brasil tem um campo de ação muito grande, pois dos 100 canais mais importantes do mundo no Youtube – a plataforma mais relevante – 24 são brasileiros”, acrescentou. 

Falando do case de sucesso da TIC TAC, que precisava informar ao mercado os seus sete diferentes sabores, Niederauer contou que a ação contou somente com youtubers brasileiros, que “invadiam” canais dos colegas para mostrar a interação dos diferentes sabores da bala. Segundo ele, foram mais de 90 milhões de impactos com a ação. O especialista ressaltou, ainda, que a empresa que contrata um influenciador não deve tentar mudar o discurso do mesmo, dando liberdade de criação para que a ação seja natural. “Então qual o nosso papel enquanto agência? É ter a ideia, transformar o problema em solução, dar alguns ‘dont´s’ – coisas que não podem ser ditas/feitas -, mas jamais influenciar no discurso deles”, concluiu Niederauer.

Métricas
A terceira palestra foi realizada pelo especialista em Inteligência de Dados e co-fundador da Atlas Media Lab, Gabriel Ishida, que falou sobre seleção e mensuração de resultados das ações com influenciadores digitais. Segundo ele, mais importante do que likes é o engajamento proporcionado pelo influenciador. “Existem ferramentas tanto para a seleção de influenciadores, por engajamento, áreas de interesse e potencial de propagação, como mensuração de resultados com visibilidade Trata-se de um investimento importante”, frisou. Ishida ressaltou que, para escolher o profissional para ação, é importante segmentar. Existem três tipos de influenciadores: o broadcaster (celebridade), bom para ações de alto alcance e com escala; o conector, que tem baixo/médio alcance, mas um público mais qualificado e engajado; e o legitimador, que também de baixo/médio alcance, mas um público altamente interativo e engajado, ideal para targets específicos e exigentes de credibilidade. “O ideal é combinar os três tipos”, destacou. 

Dando sequência aos trabalhos, Felipe Oliva, CEO da plataforma líder de marketing com micro-influenciadores que atende mais de 100 marcas, a Squid, discorreu sobre a mudança da publicidade no ambiente digital. “Hoje o banner já não é mais eficiente, é preciso outra estratégia, aí que entra o papel dos micro-influenciadores, especialmente pela credibilidade e base de confiança que detêm com os seguidores”, destacou. Oliva comentou ainda sobre os chamados “advogados das marcas”, que podem ser criados por meio da ação dos influenciadores digitais. 

Bate-papo
A segunda intervenção da tarde foi o bate-papo com influenciadores, que trouxe ao palco a jornalista e criadora da RSbloggers Andressa Griffante, considerada pelo youPIX uma das 30 personalidades mais relevantes do universo on-line no País; o produtor de conteúdo do Meio Bit, Nick Ellis; e o criador do site Não Salvo, o publicitário Maurício Cid. Com muito bom humor, eles contaram casos de clientes que tiveram trabalhos negados por motivos diferentes e também de relações de sucesso, sempre com base na credibilidade que passam e o engajamento dos seguidores. 

Encerrando os trabalhos, a última palestra do dia foi proferida por Luciano Potter, comunicador com grande influência junto ao público jovem. Na apresentação, Potter falou sobre marcas que estão apostando no ambiente digital com grande sucesso – caso da Giphy – e também da velocidade das mudanças na comunicação e publicidade proporcionadas pela tecnologia.  

O SNIC teve o patrocínio da Braspress, Couromoda, Francal Feiras e Sicoob Ecocredi, parceria da Unisinos, apoio especial do Sebrae e curadoria da Share.