Notícias

Inovar é risco ou risco é não inovar?

Inovação é risco. A maioria das empresas é avessa ao risco. Aliás, boa parte das pessoas também. Para inovar, precisamos ter a coragem de errar. Mas, é claro, dá pra errar mais barato! E é para mitigar os riscos que existem alguns conceitos, já disseminados no ecossistema de inovação, mas ainda pouco comuns em organizações tradicionais.

Um dos principais é o MVP, sigla em inglês para Produto Mínimo Viável. O conceito aparece no livro A Startup Enxuta (Lean Startup), de Eric Ries, e hoje é quase um mantra do empreendedorismo. É preciso deixar claro que MVP não significa colocar um produto mal feito no mercado, mas uma versão mais simples e enxuta, que esteja apta a representá-lo, solucionar o problema e a permitir feedbacks. Segundo Ries, no período de tempo em que o MVP estiver em teste, é possível detectar falhas rapidamente e corrigi-las sem grandes perdas financeiras. Além disso, de que vale passar anos investindo em um projeto se estamos vivendo essa era de incessantes mudanças? A probabilidade de lançarmos um produto já defasado é imensa.

O MVP já é, por si só, a primeira etapa do processo de gestão da Startup Enxuta: a conversão da ideia em produto. Com ele no mercado, é possível medir, entender como os clientes o recebem, os feedbacks e, claro, se existe mercado para o negócio. A última etapa é aprender com o experimento. É um momento de decisão entre seguir no caminho ou pivotar (mudar). Esse é um ciclo que deve permear toda inserção no mercado, seja a primeira versão do MVP, uma melhoria ou um novo produto.

Nossa indústria está acostumada a focar em produto e em processo, mas ainda estranha novos modelos de gestão. Olhar para o ambiente startupeiro, que é inovador na sua essência, e se inspirar nos conceitos de administração faz tanto ou mais sentido do que investir em desenvolvimento tecnológico. Estamos acostumados ao termo “manufatura enxuta” e esquecemos que para a produção funcionar o negócio todo precisa estar alinhado.

Inovar virou requisito para a sobrevivência das organizações, mas o risco ainda assusta muita gente. Somos uma indústria de seguidores, estamos sempre esperando por aqueles que vão assumir o protagonismo da mudança. Não seria a hora de mudar? Como diz Brené Brown, entre a coragem e o conforto, eu escolho a coragem. A coragem de mudar, de se permitir estar vulnerável, de compreender o erro e de querer transformar. No final das contas, o risco está onde não existe avanço.


Roberta Ramos
Gestora de Projetos da Abicalçados