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Indústria 4.0 é tema de encontro da cadeia coureiro-calçadista

O programa Future Footwear, uma realização conjunta entre os principais entidades da cadeia coureiro-calçadista brasileira (Abicalçados, de calçados; Assintecal, de componentes; Abrameq, de máquinas; e CICB, de couros), promoveu mais uma edição do FF Meeting na tarde de ontem (4). O encontro, que aconteceu na sede do Instituto Senai de Inovação e em Soluções Integradas em Metalmecânica, em São Leopoldo/RS, contou com uma palestra sobre a Indústria 4.0, proferida pela professora e pesquisa Cristina Orsolin.

Na oportunidade, a pesquisadora ressaltou a importância da união das entidades da cadeia coureiro-calçadista nacional para “solucionar o problema antes que ele aconteça”. Segundo ela, a Indústria 4.0 já é uma realidade no mundo mais desenvolvido e a adaptação é necessária como uma questão de sobrevivência competitiva. “Estamos passando de um período de troca da moda por demanda, massificada, para uma moda mais individualizada, por isso é importante que a indústria possa desenvolver produtos em lotes únicos, para atender nichos cada vez mais específicos”, comentou. O ponto-chave, segundo Cristina, é flexibilidade. “O objetivo principal da Indústria 4.0 é que possamos produzir lotes únicos ou até individualizados com os mesmos custos da moda massificada. Agora, como fazer isso?”, questionou. E respondeu: para a especialista é preciso  investimento em tecnologia, sobretudo em automação. 

Segundo ela, a Indústria 4.0, nos desdobramentos de robótica e automação, especialmente impressão 3D quando se fala no setor calçadista, já é uma realidade em países mais desenvolvidos. “A questão é que, como a evolução é exponencial, essa realidade não deve demorar muito para chegar no Brasil e a cadeia precisa estar preparada”, acrescentou. 

Pontos
Cristina destacou que os principais pontos do conceito aplicado da Indústria 4.0 são: as estruturas modulares, pelas quais o acoplamento seja simples e flexível, mas com grande coesão interna; os cyber physical systems, ou seja, a integração total do físico e digital; e a chamada Internet das Coisas (IoT), um meio de conectividade fundamental para o avanço da manufatura. A questão levantada é como inserir esses conceitos em uma indústria tradicional e que utiliza alto grau de mão de obra humana como a da cadeia coureiro-calçadista. O primeiro passo, segundo a pesquisadora, é a digitalização total, ou seja, colocar tudo o que é físico no digital e poder adaptar a qualquer momento o processo produtivo, também criando uma “transparência preditiva” aos problemas. “Aqui entra o grande papel do Analytics. Até hoje a indústria ou realizou manutenção preventiva ou fez manutenção de máquinas quando já estavam com problemas”. disse. O segundo ponto, é gerar uma cultura de adaptação, com auto-configuração auxiliada pelos processos de inteligência artificial. 

Tangível
Para fugir apenas da conceitualização, Cristina citou exemplos como o da Adidas, que na Alemanha já produz calçados com impressão 3D, inclusive com palmilhas especiais e customizadas de acordo com a necessidade de cada usuário. 

Para começar os trabalhos da aplicação dos conceitos da manufatura avançada na indústria brasileira de calçados, a pesquisadora aconselha, além da discussão sobre o tema, visando a criação de uma “cultura 4.0” no segmento, o desenvolvimento de fábricas modelos, para testes. “O laboratório é fundamental para evoluir no conceito e ter menos desperdícios de esforços e recursos”, concluiu Cristina.

Após a palestra, os participantes foram convidadas a uma visita guiada no Instituto Senai de Inovação e em Soluções Integradas. 

A Semana
A ação fez parte da programação da Semana do Calçado, criada no ano passado e que uniu as principais entidades setoriais da cadeia coureiro-calçadista – IBTeC, Abicalçados, Assintecal, Abrameq e CICB -, além das promotoras de feiras Couromoda e Fenac (Fimec 2018), e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RS). O objetivo é promover, anualmente,  uma semana de atividades de integração de todas as áreas do complexo.