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06/07/2017

Francal deu start para as vendas de primavera-verão do setor calçadista


  •  Francal deu start para as vendas de primavera-verão do setor calçadista

A 49ª edição da Francal, feira que reuniu 1,5 mil marcas de calçados e acessórios para lançar as coleções de primavera-verão, no Expo Center Norte, em São Paulo/SP, foi uma mostra de opiniões contrastantes. Ocorrida entre os dias 2 e 5 de julho, a Francal teve uma visitação menor do que em edições anteriores – embora o número oficial não esteja fechado, o que não impediu muitos dos expositores registrarem resultados positivos nas vendas devido ao melhor momento do mercado, que ensaia uma recuperação na demanda doméstica. 

 

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, destaca que a feira cumpriu a função de dar um start para a temporada de vendas mais importante, em termos de volume, para a indústria nacional. “A primavera-verão responde por quase 70% do total de vendas brasileiras de calçados. Neste contexto, a Francal sempre é um termômetro importante do comportamento do mercado e nesta edição não foi diferente. Empresas que conseguiram segurar custos e manter o preço, apostando em produtos inovadores, tiveram bons resultados, outros nem tanto. O segmento, apesar de iniciar uma recuperação gradual, ainda está muito inseguro quanto aos rumos da economia, que historicamente é abalada pelas turbulências políticas”, comenta o dirigente.

 

Segundo Klein, de uma maneira geral, a indústria de calçados, se comparada com a indústria de transformação, é a que menos vem sentindo os efeitos da crise, tendo registrado incremento nas vendas internas e externas nos primeiros meses do ano. Entre janeiro e abril de 2017, as vendas no varejo aumentaram 6,3% no comparativo com igual período do ano passado, enquanto as exportações aumentaram 20% em receitas entre janeiro e maio no mesmo comparativo. “Existe sim uma retomada gradual, mas os calçadistas precisam entender que a sustentabilidade desse processo depende também do comportamento da indústria, que deve apostar em produtos diferenciados e que atraiam o consumidor para um novo modelo de consumo”, acrescenta Klein.

 

Para Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal, tudo indica que a feira atendeu à expectativa de dar continuidade à recuperação das vendas no mercado interno e externo iniciadas neste ano. "O retorno que tivemos dos expositores foi bastante positivo, com vendas efetivas e futuras, inclusive para clientes internacionais", diz. Segundo ele, a indústria e o varejo de calçados são um exemplo de setor que está sabendo aproveitar as oportunidades oferecidas pela melhora do cenário econômico e a Francal se posicionou como uma importante ferramenta para confirmar o ritmo de crescimento, "uma vez que apresentou o melhor da produção nacional em calçados e acessórios para a primavera-verão e impulsionou os negócios do segundo semestre".

 

Apertando o cinto...
O diretor da Kidy, empresa de infantis de Birigui/SP, Sérgio Gracia, está satisfeito com a mostra. “Batemos a meta ainda no segundo dia, sendo que devemos fechar as contas com 10% mais vendas do que o registrado na feira do ano passado”, comemora o empresário, ressaltando que muito dessa perfomance deve ser atribuída ao acerto na coleção, que para essa edição da mostra trouxe produtos específicos para o Dia das Crianças. “Também tivemos um bom número de importadores, especialmente da América do Sul. Na feira, abrimos o único mercado do continente que ainda faltava, o Chile, que é bastante difícil, pois possui um acordo de livre comércio com a China e é praticamente dominado pelos calçados asiáticos”, acrescenta.

 

Para Gracia, o ano deve ser positivo, mesmo com a crise política. “O pior já passou. Se tivermos o mínimo de estabilidade política, certamente teremos um excelente último trimestre. Mas o câmbio – ainda instável – também precisa ajudar, pois a oscilação traz muita insegurança tanto para a indústria como para o comprador”, avalia. 

 

...e com inovação
Com uma produção de 20 mil pares diários, a Kidy exporta cerca de 10% da produção para 38 países, número que Gracia quer aumentar para 45 até 2018. Para o ano corrente, a expectativa de Gracia é de um incremento de 18% nas vendas, especialmente embaladas por um investimento de R$ 5 milhões em automaçao, treinamento, tecnologia e desenvolvimento de novos produtos. “Com esse investimento, também estamos conseguindo segurar o aumento dos preços, que é o mesmo para 80% das nossas linhas há 12 meses”, explica o empresário. 

 

Também influenciada por novos investimentos na marca, a Usaflex, adquirida no final de 2016 por um grupo franco-americano, colheu resultados de 20% a 30% melhores nesta edição da Francal em relação com a mostra do ano passado. O gerente comercial da empresa, que produz calçados femininos de alto conforto em Igrejinha/RS, Eduardo Santos, destaca que a crise política afetou as vendas, mas os investimentos em mídia e desenvolvimento, bem como o capital intelectual trazido pelo grupo franco-americano, foram fundamentais para não somente manter a posição da marca, mas para aumentar as vendas no início do ano. “Para o ano, a nossa expectativa é de crescimento de 27%, expectativa que seria melhor se tivéssemos vivendo um momento político mais estável”, conta. Com uma produção de 25 mil pares diários, a empresa exporta 5% da produção, número que quer aumentar nos próximos anos.

 

Destoando
O gerente de Exportação da Itapuã, empresa de Cachoeiro do Itapemirim/ES, Saulo Altoé, é uma das vozes destoantes nessa maré de otimismo da Francal. Segundo o gerente, o desempenho foi dentro do esperado, que não era de incremento, mas de estabilidade. Mesmo assim, explica Altoé, a Francal vendeu, in loco,  80 mil pares. “Se comparado com anos anteriores, o número é menor, mas não chega a surpreender”, avalia. 

 

Segundo o gerente, o motor da Itapuã para este ano será o mercado internacional. “Já temos a carteira internacional até outubro comercializada”, conta. Conforme Altoé,um dos motivos desse sucesso é que a empresa está conseguindo, por meio da diminuição de custos e negociações à vista com fornecedores, segurar os preços há oito meses. Com uma produção de 8 mil pares diários, a Itapuã pretende aumentar suas exportações em 13% ao longo de 2017. 

 

Francal
A 49ª edição da Francal, a maior feira da América Latina com lançamentos das coleções de primavera-verão, aconteceu entre os dias 2 e 5 de julho com 1,5 mil marcas expositoras no Expo Center Norte. A Abicalçados participou da mostra com projetos de promoção comercial – Projeto Comprador Vip, que trouxe três grupos de compradores da Rússia e Colômbia – e de imagem – Projeto Imagem, com jornalistas de alguns dos principais veículos segmentados internacionais da Argentina, Colômbia, Itália, Espanha e França.