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Ferramentas digitais são fundamentais para os negócios

Com o acesso à internet cada vez mais democratizado no Brasil, cresce a importância da utilização de ferramentas sociais para o incremento dos negócios. Recente pesquisa da GlobalWebIndex, empresa inglesa que analisou dados de 45 dos maiores mercados de internet do mundo, apontou que o tempo médio diário que cada usuário dedica a sites e mídias sociais aumentou 60% entre 2012 e 2019, de 90 minutos para 143 minutos. A mesma pesquisa também aponta que o Brasil é o segundo país do mundo com maior tempo de utilização, com 225 minutos diários, muito acima da média mundial, atrás apenas das Filipinas.

Para Rafael Terra, diretor da Agência Fabulosa Ideia e professor de Marketing Digital e Redes Sociais em MBAs na ESPM, PUCRS e Unisinos, a inserção das empresas nas mídias sociais já nem é um diferencial, é uma questão de sobrevivência. Porém, o especialista ressalta que alguns cuidados devem ser tomados, como a avaliação do público-alvo para quem se quer comunicar. “O primeiro passo é realizar um amplo estudo do comportamento do consumidor”, aconselha. A partir desse conhecimento, o segundo passo é trabalhar com conteúdos relevantes, não somente sobre a marca, mas sobre os principais assuntos de interesse do público-alvo.

Outro ponto positivo do marketing digital é a assertividade da publicidade. “Antigamente, você colocava um comercial na TV e tinha que dar sorte do seu público estar conectado naquele momento. No digital, você consegue achar seu público-alvo onde ele estiver”, avalia Terra. Além disso, é possível investir valores muito mais baixos do que na mídia tradicional, o que é um grande diferencial para empresas menores. “É você que coloca mídia, testa e vê o retorno sobre o investimento. Permite que você mensure resultados e avalie estratégias constantemente ”, acrescenta.  

Alcance orgânico
Existem duas maneiras de atingir os usuários das redes sociais, a primeira delas, chamada de orgânica, é gratuita. São todas as pessoas que visualizam e interagem com as suas publicações sem você pagar. A outra maneira é a forma paga ou patrocinada, quando você investe para que a rede mostre algum anúncio ou publicação específica para mais pessoas. O alcance orgânico vem caindo desde 2012, tanto para páginas comerciais quanto para perfis pessoais. Em 2014, o Facebook, por meio de Brian Boland, líder do time de marketing de produtos para anúncios da empresa, se pronunciou sobre o tema e explicou que a queda deve-se a dois fatores. Primeiro, porque mais e mais conteúdo está sendo criado e compartilhado diariamente e segundo, porque o funcionamento da rede é desenhado para que no Feed de notícias apareça o conteúdo mais relevante para cada pessoa.

Entretanto, há maneiras de se posicionar na web sem investir recursos, é o caso de ferramentas de busca, como o Google. Para Leonardo Haushild, diretor da Marke, empresa de consultoria em marketing digital, as empresas que adotam estratégias on-line devem buscar ferramentas para medir os resultados, sendo que, muitas vezes, a aposta no tráfego orgânico, com otimização do site, pode trazer ótimos resultados. “Sites otimizados e orientados para mecanismos de busca, com palavras-chave definidas para nichos específicos, têm uma visibilidade potencializada no e-commerce”, comenta, ressaltando a importância de ferramentas simples, como os blogs. “O blog é muito importante como ferramenta de crescimento do site no ranking de buscas”, avalia Haushild. Todavia, o rankeamento em sites de busca é uma estratégia diferente da utilizada nas redes sociais, sendo, na maioria das vezes, importante trabalhar ambas simultaneamente.  

Vídeos
No Brasil, estima-se que 150 milhões de pessoas utilizem a internet diariamente. Pesquisa realizada pela We Are Social aponta que a maior parte dos usuários são assíduos nas redes sociais e são atraídos, principalmente, por vídeos. No ranking elencado no levantamento, as principais redes acessadas são YouTube, Facebook, WhatsApp, Instagram, Messenger, Twitter, LinkedIn e Pinterest. 

Segundo Terra, os vídeos humanizam a marca. “Hoje, 70% da web é compartilhada em imagem e vídeo. Produções audiovisuais são essenciais para uma boa performance nos canais digitais”, diz.  Dentro deste contexto, de humanização na comunicação digital, o especialistaressalta que as marcas, mesmo sem grandes recursos disponíveis, devem estar presentes em plataformas de vídeo, especialmente no YouTube.

Atendimento robótico
Criador de chatbots como a boneca Lu, da Magazine Luiza, Rodrigo Scotti, CEO da Nama, destaca que o atendimento precisa estar presente fulltime no e-commerce e que neste contexto ganham relevância os robôs. “Os consumidores on-line querem tirar dúvidas, querem mais informações sobre os produtos anunciados, especialmente os com ticket médio maior, e isso acontece nem sempre em horário no qual terá um humano disponível para atender”, comenta o empresário. 

Segundo Scotti, hoje existem diversos tipos de chatbot, alguns mais ou menos sofisticados, dependendo da necessidade da empresa. Necessidade que, segundo ele, pode ser medida por meio da técnica de growth hacking, uma espécie de marketing de experiência, de erro e acerto. “É importante que a empresa teste hipóteses e valide processos para automatizar o atendimento”, aponta. 

Aproximação
Empresas de todos os portes têm utilizado as ferramentas digitais para incrementar os negócios. A Pampili, de Birigui/SP, adota a estratégia 360 graus digitais, buscando o contato permanente com o público. O gestor de Marcas da empresa, Edson Arita, conta que para tanto são realizadas estratégias específicas de mídias sociais, com anúncios e re-marketing -  estratégia que permite que anúncios do Google Ads apareçam mais de uma vez para usuários que já demonstraram interesse no site da marca.  “A Pampili tem apostado, ao longo desses últimos anos, na força de um bom relacionamento, gerando experiências, conteúdos relevantes e desenvolvendo uma relação de “ganha-ganha” com o cliente”, comenta o gestor, destacando o Canal Mundo da Menina, que conta já conta com mais de 3 milhões de seguidores no YouTube. 

Seguindo o objetivo de aproximação com os consumidores, a Vicenza, de Três Coroas/RS, utiliza a estratégia de personificação para a atuação nas redes sociais. Segundo a diretora Criativa da marca, Rafaela Furlanetto, que assume as redes sociais da empresa (foto), a personificação aproxima a consumidora e a  empresa. Outra estratégia utilizada, com sucesso e com o mesmo objetivo de criar laços orgânicos, é a produção de conteúdos que mostrem os bastidores da empresa, desde reuniões de planejamento até a produção. “Tudo entra de forma pensada na organização do conteúdo de redes sociais”, conta a diretora.

A empresária Natalia Miti, da Miti Shoes, de Brasília/DF, conta que a empresa utiliza as mídias sociais, especialmente o Instagram, para divulgação. Assim como a Vicenza, o objetivo é estreitar laços com a consumidora. “Aproximamos o público dos nossos processos - desde o desenho, produção e distribuição - transmitindo através de fotos e vídeos todo o nosso DNA e trazendo a cliente para cada vez mais perto da marca”, explica, ressaltando que a venda não é uma resposta imediata e que abrir as portas da empresa e gerar relacionamento cria um engajamento mais perene. “A venda é uma consequência natural deste processo”, conclui.

Nas mídias digitais é possível atingir todo o tipo de público. Buscando conquistar o consumidor por meio de referências do mundo do skate, a ÖUS, de Curitiba/PR, aposta na contratação de artistas ligados ao universo street. “Fazemos, desta forma, com que o público se sinta representado pela marca, trazendo um engajamento mais natural e espontâneo”, explica Robson Sakamoto, gerente de marketing da empresa. 

Abicalçados
A Abicalçados, enquanto representante da indústria calçadista brasileira, trabalha o tema de desenvolvimento com afinco, entre eles o do marketing digital, assunto que tem sido intensamente debatido em âmbito setorial.