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Exportações de calçados sentem impacto da guerra comercial

Influenciadas pela guerra comercial instalada entre as duas maiores potências mundiais, Estados Unidos e China, as exportações brasileiras de calçados caíram no mês de outubro. Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, no mês passado, os calçadistas embarcaram 10 milhões de pares que geraram US$ 80,57 milhões, quedas de 14% na receita e de 8,3% no volume em relação ao mesmo mês de 2018. Com isso, as exportações somaram US$ 798,87 milhões e 93,35 milhões de pares no acumulado dos dez meses, incrementos de 0,6% e de 4%, respectivamente, no comparativo com igual período do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, avalia que, embora as exportações para os Estados Unidos tenham seguido a trajetória de elevação, como resultado da imposição de tarifas de importação locais para calçados chineses, por outro lado o produto brasileiro perdeu mercado em outros clientes internacionais importantes e que foram alvo da “desova” dos produtos asiáticos. “Apesar de os dois países estarem na mesa de negociação para por fim ao impasse, o mundo ainda sente os efeitos da guerra comercial, especialmente pela recente desvalorização artificial do Yuan (moeda chinesa), que tornou o produto chinês ainda mais competitivo. Além disso, no acumulado do ano, as exportações chinesas de calçados para os Estados Unidos caíram 3%, ou seja, mais de US$ 260 milhões em produtos que precisaram ser realocados em outros mercados ao redor do mundo”, explica o dirigente. 

Além do impacto da guerra comercial, Ferreira destaca a sequência da crise argentina e os ajustes do câmbio, este último que fez com que o preço médio do calçado brasileiro caísse 24% nos últimos três meses, de US$ 10,60 para US$ 8. “Ou seja, os exportadores puderam baixar o preço médio, em dólar, sem perder a rentabilidade. O fato, na estatística, pesa na queda dos valores gerados pelos embarques”, avalia. 

Destinos
O principal destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo os Estados Unidos. No mês de outubro, foram embarcados para lá 945,7 mil pares que geraram US$ 14,74 milhões, incremento de 10,5% em volume e queda de 17,4% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2018. Com o resultado, no acumulado dos dez meses, os norte-americanos somaram a importação de 9,88 milhões de pares de calçados brasileiros, que geraram US$ 165,16 milhões, incrementos de 35,2% e de 30,4%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado.

O segundo destino do calçado brasileiro é a Argentina, que, no mês passado, importou 1 milhão de pares por US$ 9,76 milhões, quedas de 25,3% e de 13,6%, respectivamente, ante período correspondente de 2018. No acumulado dos dez meses, os argentinos somam a importação de 8 milhões de pares por US$ 86,9 milhões, quedas tanto em volume (-25,5%) como em receita (-31,2%) na relação com mesmo período do ano passado.

Na terceira posição do ranking aparece a França, para onde, em outubro, foram embarcados 584,68 mil pares por US$ 3,53 milhões, altas tanto em volume (16,5%) como em receita (13,3%) na relação com mesmo mês de 2018. Com o resultado, no acumulado os franceses somam a importação de 5,9 milhões de pares por US$ 45,77 milhões, incrementos de 1,8% e de 1,5%, respectivamente, em relação a igual intervalo do ano passado. 

RS: o maior exportador
O Rio Grande do Sul segue sendo o principal estado exportador de calçados. Nos dez meses do ano, os calçadistas gaúchos embarcaram 25 milhões de pares que geraram US$ 365,84 milhões, incrementos de 9,8% em volume e de 2,1% em receita no comparativo com o mesmo período de 2018.

O segundo maior exportador dos dez meses foi o Ceará, de onde partiram 31,77 milhões de pares que geraram US$ 192,73 milhões, queda de 1,7% em volume e incremento de 1,1% em receita em relação ao período correspondente do ano passado.

No terceiro posto do período aparece São Paulo. Nos dez meses, os paulistas embarcaram 6,37 milhões de pares por US$ 86,65 milhões, incremento de 6,6% em volume e queda de 2,3% em receita no comparativo com o mesmo ínterim de 2018.

Destaque desde o início do ano, a Paraíba aparece no quarto posto, com 15,66 milhões de pares embarcados por US$ 54,2 milhões, incremento tanto em volume (20,2%) como em receita (14%) em relação aos mesmos dez meses de 2018.

Importações
As importações seguem a trajetória de alta. Em outubro, entraram no Brasil 2,45 milhões de pares pelos quais foram pagos US$ 35,58 milhões, incrementos de 25,2% e de 25,6%, respectivamente, na relação com mesmo mês do ano passado. Com o resultado, no acumulado dos dez meses, as importações somaram 24,67 milhões de pares e US$ 324,55 milhões, altas de 3,9% e 6,7% no comparativo com o mesmo período do ano passado.”Nas importações também sentimos o efeito da guerra comercial, já que a China está vendendo mais para o Brasil, apesar da tarifa extra do antidumping”, avalia Ferreira, destacando que, para compensar a sobretaxa de US$ 10,22 por par, os chineses “jogam com o câmbio”. "A China tem uma reserva internacional de mais de US$ 3 trilhões, quase dez vezes a brasileira. Isso faz com que eles possam mexer no câmbio com mais facilidade”, acrescenta. 

Entre janeiro e outubro, a principal origem do calçado importado pelo Brasil foi o Vietnã, com 10,5 milhões de pares e US$ 161,45 milhões, queda tanto em volume (-1,6%) como em valores (-5,3%) em relação ao mesmo período de 2018.

A segunda origem do período foi a Indonésia, que enviou para o Brasil 4,26 milhões de pares por US$ 68,33 milhões, altas tanto em volume (23,7%) como em valores (23%) na relação com igual ínterim de 2018.

A terceira origem foi a China, que embarcou para o Brasil 7,27 milhões de pares por US$ 42,24 milhões, incrementos de 2,7% e de 31,4%, respectivamente, em relação aos mesmos dez meses do ano passado.

Em partes de calçados – cabedal, solas, saltos, palmilhas etc – foram importadas peças que equivalem a US$ 25,67 milhões, 39,8% menos do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.

 

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