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EUA é o principal destino das exportações de calçados

Os embarques de calçados brasileiros registraram o segundo mês consecutivo de incremento. Em agosto, conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), foram embarcados 9,47 milhões de pares, 7,4% a mais do que no mesmo mês de 2018. Em valores, porém, houve uma queda de 6% no mesmo comparativo, somando a cifra de US$ 78 milhões. A explicação passa pelo preço médio do produto embarcado, que caiu mais de 12%. Com o resultado de agosto, o acumulado dos oito meses chegou a 76,66 milhões de pares, que geraram US$ 644 milhões, altas de 8,2% em volume e de 2,5% em receita no comparativo com igual ínterim do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, comenta que o resultado díspar entre volume e receita pode ser explicado pela valorização do dólar, que deixa o preço do calçado brasileiro mais competitivo no exterior, e também pelo começo dos embarques das coleções de Verão. “Como os custos das indústrias são em reais, quando o dólar valoriza temos a possibilidade de formar preços mais baixos”, explica Ferreira, ressaltando o incremento de 15% nos embarques de chinelos no mês oito, o que tem grande impacto no resultado geral, levando em consideração que 50% do volume exportado pelo Brasil é deste segmento. Dados elaborados pela Abicalçados apontam que no mês de agosto o preço médio do produto enviado ao exterior foi de US$ 8,24, enquanto no mesmo mês de 2018 foi de US$ 9,10.

Guerra comercial
Somando a importação de 748,58 mil pares de calçados verde-amarelos por US$ 15,63 milhões, os Estados Unidos foram os principais compradores internacionais do mês de agosto, com incrementos de 18% em pares e de 5,8% em receita em relação a 2018. No acumulado dos oito meses, os norte-americanos somam 8 milhões de pares importados, pelos quais foram pagos US$ 135,87 milhões, altas de 32% e de 35,4%, respectivamente, em relação ao ano passado. Ferreira reitera que o movimento é esperado e deve continuar ocorrendo até o final do ano, especialmente em função da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tem encarecido o produto asiático com tarifas extras de importação. “Tradicionalmente, 70% das importações de calçados norte-americanas são provenientes da China. Com as novas tarifas impostas, os importadores estadunidenses têm buscado fornecedores alternativos, abrindo espaço para o nosso produto”, explica o dirigente.

Argentina
O segundo destino no exterior, apesar da crise interna, segue sendo a Argentina. No mês de agosto, os hermanos importaram 1,12 milhão de pares, pelos quais foram pagos US$ 11 milhões, quedas de 38% em volume e de 29% em receita em relação ao mês correspondente do ano passado. Com isso, no acumulado dos oito meses os argentinos somam a importação de 5,76 milhões de pares e US$ 65,73 milhões, quedas de 30,6% em volume e de 36,5% em receita em relação ao mesmo período de 2018.

A França foi o terceiro destino do calçado brasileiro no exterior. Em agosto, os franceses importaram 1,18 milhão de pares, pelos quais foram pagos US$ 6,36 milhões, incrementos de quase 300% em volume e de 52,4% em receita na relação com mesmo mês de 2018. Com o resultado, a França soma a importação de 4,93 milhões de pares e US$ 39,5 milhões, alta de 23,4% em volume e queda de 1,2% em dólares em relação ao ano passado.

Estados
O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil, respondendo por 46% do total gerado com os embarques em 2019. Nos oito meses do ano, os gaúchos embarcaram 19,76 milhões de pares por US$ 296,8 milhões, altas de 10,8% em volume e de 2% em receita na relação com igual período de 2018.

A segunda origem do calçado exportado foi o Ceará, de onde partiram, nos oito meses, 26 milhões de pares que geraram US$ 160,4 milhões, altas tanto em volume (1,1%) quanto em receita (7,2%) em relação ao mesmo período do ano passado.

No terceiro posto aparece São Paulo. De janeiro a agosto, os paulistas embarcaram 4,9 milhões de pares por US$ 67,67 milhões, incremento de 7,6% em volume e queda de 3,2% em receita no comparativo com período correspondente de 2018.

Importações
No mês oito entraram no Brasil 1,97 milhão de pares, pelos quais foram pagos US$ 32 milhões, quedas tanto em volume (-11,2%) quanto em valores (-1,9%) em relação ao mesmo mês do ano passado. Com isso, no acumulado de janeiro a agosto, as importações somaram 19,6 milhões de pares e US$ 246,7 milhões, quedas de 0,7% em volume e de 0,2% em receita no comparativo com igual ínterim de 2018. As principais origens seguem sendo os países asiáticos: Vietnã (7,87 milhões de pares e US$ 122 milhões, quedas de 7,5% e 12%, respectivamente, em relação a 2018), Indonésia (3 milhões de US$ 48,3 milhões, incrementos de 16,6% e de 12,5%, respectivamente) e China (6,48 milhões e US$ 32,28 milhões, queda de 1,1% em volume e incremento de 19% em valores).

Em partes de calçados – cabedais, solas, palmilhas etc – as importações dos oito meses somaram US$ 20,6 milhões, 44% menos do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.

 

 

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