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[ ESPECIAL ] Fruto da união de entidades setoriais, Future Footwear completa um ano

O s primeiros passos do programa Future Footwear, lançado no dia 24 de agosto de 2016, foram promissores. Desde aquele evento histórico, que reuniu todas as principais entidades representativas da cadeia coureiro-calçadista nacional na fábrica do Grupo Priority, em Ivoti/RS, muito já foi realizado. Neste primeiro ano foram promovidos um torneio empreendedor, rodadas de negócios entre empresas do segmento, fornecedores e prestadores de serviços que tenham relação à inovação proposta no conceito da Indústria 4.0, além de encontros entre entidades calçadistas e de outros setores, que deram origem a um Planejamento Estratégico.  

A gestora de Projetos da Abicalçados, Roberta Ramos, ressalta que o sonho de unir a cadeia tornou-se realidade, uma realidade que a cada dia está mais consolidada. “Os primeiros passos, dados nesse primeiro ano, demonstram que estamos no caminho certo e avançando para a aplicação de conceitos modernos de novos modelos de negócios, novos processos e novos produtos com tecnologia embarcada. O Future Footwear é um marco para o complexo calçadista. Um marco para o futuro”, avalia a gestora, confirmando o objetivo de tornar a indústria calçadista nacional uma referência internacional nos próximos anos. 

Segundo Roberta, mesmo sendo o quarto maior produtor de calçados do mundo (com mais de 950 milhões de pares por ano), o setor ainda ressente de maior aporte de tecnologia e inovação para ampliar a competitividade no mercado doméstico e internacional. “O Programa trouxe uma nova visão de futuro para a indústria calçadista, com reflexões importantes e também marcou a não menos histórica união formal das quatro entidades do complexo, que entenderam a importância do trabalho colaborativo para o desenvolvimento de toda a cadeia e não de segmentos isolados”, frisa. 

Torneio empreendedor
A primeira ação do Future Footwear foi o torneio empreendedor FF Enterprise, ocorrido entre outubro e novembro do ano passado. O torneio foi vencido pela equipe Bioplas, formada por Bianca Scopel, Patrícia Poletto, Julia Mascarello e Elizete Baggio, com o projeto que transforma resíduo do couro em plástico biodegradável. “Além do objetivo de criar uma cadeia mais sustentável,  já que o plástico à base de petróleo representa um grave problema ambiental, a iniciativa traz ainda um ganho econômico importante, pois o resíduo dá origem a sacolas plásticas. A reciclagem se dá pelo aproveitamento do colágeno presente nas peles animais”, explica Bianca. O projeto vencedor recebeu um incentivo financeiro de R$ 5 mil. Atualmente, a iniciativa segue em processo de pesquisa e desenvolvimento em uma parceria entre Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade de Passo Fundo (UPF).

Sinergia
No dia 19 de outubro de 2016 ocorreu a primeira edição do FF Meeting, encontro de entidades da cadeia coureiro-calçadista e de outros setores ligados à tecnologia e inovação, com o objetivo de formalizar um comitê para a discussão de ações com vistas à aplicação dos conceitos de Indústria 4.0 no Brasil. O encontro, e outros da mesma ordem que o sucederam, tem relação com a criação do Planejamento Estratégico do complexo, que trouxe desafios e metas para os próximos 15 anos, identificando gargalos e oportunidades de desenvolvimento para o setor.

Lançado em junho deste ano, o documento foi assinado pela empresa de consultoria Novo Ciclo, contratada por meio de edital do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). No documento foram listadas uma série de oportunidades para o desenvolvimento da cadeia, especialmente no mercado internacional. O Planejamento Estratégico fechou com metas até 2032: impactar 633 empresas com iniciativas; aumentar a produtividade por funcionário em 7,5% nas empresas do complexo; aumentar as exportações entre 10% a 15% ao ano; engajar 200 empresas de calçados, 200 de componentes, 50 de couros e 50 de máquinas nas certificações de sustentabilidade; aumentar o engajamento das empresas nas respostas ao PINTEC (pesquisa de inovação realizada pelo IBGE); e a criação de um escritório de projetos para a cadeia, com braço voltado para gerenciamento de projetos por meio de um conselho consultivo de empresários.

Rodadas de negócios
Ainda em outubro de 2016, aconteceu a primeira edição do FF Exchange, uma rodada de negócios entre empresas calçadistas e fornecedores. As rodadas acontecem no modelo “speed dating”, no qual os prestadores têm alguns minutos para apresentar seus serviços aos empresários. Além de incentivar o networking entre players de diferentes segmentos, a ferramenta é o start para negociações futuras. Em dois eventos, o segundo ocorreu em março deste ano, participaram 29 indústrias de calçados e 46 fornecedores, desde curtumes a serviços de tecnologia e inovação. As próximas rodadas acontecerão em setembro e outubro deste ano, em Jaú/SP (12/9), Franca/SP (14/9) e Novo Hamburgo/RS (03/10). 

Também fazem parte do escopo de atuação do Future Footwear, a plataforma de cocriação Moda Co, a MMX (antiga MUDE) e o Sistema de Operações Logísticas Automatizadas (Sola).

União
O Future Footwear é fruto de uma integração da Abicalçados, Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para Couros, Calçados e Afins (Abrameq). O apoio é do Instituto by Brasil (IBB), Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Saiba mais em http://futurefootwear.com.br