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[Coluna Inova-Ação] Entendendo o Early Adopter

O Early Adopter é o sujeito que usa uma tecnologia quando ela está ainda na infância. Não é o indivíduo que compra o último modelo de smartphone, é o que começou a usar o telefone funções diferentes no celular “grandão”, quando todos ainda usavam só para falar. É um cara que arrisca, que não tem medo de passar vergonha e que admira ou xinga as marcas. É relativamente fácil de ser conquistado no início, mas é difícil mantê-lo satisfeito ao longo de muito tempo. É inquieto, não está necessariamente preocupado com a compra segura de um produto testado. Não é o sujeito que rasga dinheiro, é o cara que arrisca. 

Estes pontos o definem como uma figura fundamental para a indústria de qualquer segmento. Ele será a bússola que vai dizer que um produto realmente novo faz sentido ou ainda precisa mais tempo para adoção. 

Um exemplo interessante foi o Google Glass, os óculos que tinham funções de smartphone e que a empresa vendeu por US$ 1.500,00 para 200 pessoas que, no primeiro momento, disputavam a chance de poder desembolsar este valor. Ninguém usou, ninguém testou e não se sabe se ele vai vingar. Esse é o desafio perfeito para o Early Adopter e o cenário ideal para a Google tirar do laboratório e colocar nas ruas um protótipo que tinha cara de produto, algo que jamais a Apple faria. O resultado foi que, neste uso inicial, evidenciaram-se problemas de aceitação social do Glass que ainda precisariam ser resolvidos. Hoje, ele existe como produto para o mercado vertical, mas o conhecimento gerado pela tecnologia está em vários produtos. O Glass chamou a atenção para a categoria Wearables, que hoje se apresenta em Smartwacthes, pulseiras fitness, fones de ouvido wireless, de diversos formatos e finalidades, e também óculos de empresas como Snapchat ou Bose. Além disso, roupas e calçados, originalmente Wearables, começam a incorporar tais tecnologias. Só a categoria Smartwacthes fez com que a Apple, neste quadrimestre, superasse o melhor momento do iPod. Neste caso, a Apple pegou alguma carona dos comentários dos primeiros usuários do Glass para entender o que fazia sentido como complemento do Smartphone. O Early Adopter do Apple Watch mostrou também que o sentido principal era a saúde. Logo, nas versões seguintes do relógio, a empresa incluiu funções literalmente vitais como o botão de SOS e os detectores de arritmias cardíacas. 

Portanto, apesar da dificuldade de satisfazer este tipo de consumidor exigente, ele é fundamental para qualquer empresa realmente inovadora e não seguidora de tendências. O grande desafio é interpretar e decodificar o que ele está querendo apontar como caminho pertinente para o produto em questão.  




Eduardo Pellanda
Professor e pesquisador da Escola de Comunicação, Artes e Design da PUCRS e coordenador do Ubilab