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Captação de recursos para inovação é tema de evento da Abicalçados

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) promoveu, na tarde de ontem (31/10), em sua sede, em Novo Hamburgo/RS, um workshop sobre captação de recursos para inovação. O encontro, ministrado pelo consultor de Inovação da entidade, Alexandre Peteffi, apresentou conceitos e agências de fomento e recursos disponíveis para investimento em inovação de produtos e processos para o setor calçadista. Ao fim do evento foi realizada uma oficina prática, na qual os participantes analisam dois projetos fictícios e apontaram os erros e acertos de cada um deles. 

Provocando os calçadistas presentes, Peteffi ressaltou que o setor acessa muito pouco dos recursos disponíveis para inovação. Segundo ele, 98% das empresas do setor fazem investimentos com recursos próprios e em 10 anos apenas 1% dos recursos disponíveis da Finep - principal agência de fomento do Brasil - foram acessados pelo segmento. Destacando o fato de que a inovação é essencial para a competitividade, o consultor listou as principais agências de fomento do Brasil, com editais que se encaixam às necessidades do setor calçadista: Finep, ABDI, Embrapii, CNPQ, BNDES, entre outros. 

Projetos
Peteffi ressaltou que para elaboração de bons projetos é preciso ter conhecimento dos conceitos de inovação, que deve resultar em novos produtos, processos e serviços, ou melhorar significativamente os já existentes. Segundo ele, muitas empresas acabam não escrevendo projetos por falta de conhecimento e é por essa razão que a Abicalçados criou, em 2018, o FF Captação de Recursos. “Trata-se de um serviço de monitoramento de oportunidades e auxílio na elaboração de projetos visando o acesso a linhas de fomento, sejam elas a fundo perdido ou financiamento com juros acessíveis”, explica, acrescentando que o trabalho só é remunerado em caso de sucesso, por meio de uma taxa adequada para cada tipo de situação.

Dicas
Na sequência, Peteffi listou pontos importantes que devem constar nos projetos remetidos às agências, ressaltando que quanto maior for a abrangência da inovação - regional, nacional ou internacional -, maior a chance de sucesso. No projeto, segundo ele, a empresa precisa demonstrar conhecimento sobre o produto ou processo inscrito, inclusive podendo optar por parcerias com profissionais externos, universidades ou mesmo centros de inovação. Também são necessários estudos de levantamento das barreiras de mercado, sobre o impacto que a inovação terá na economia e na sociedade, a previsão de formação de uma equipe qualificada para P&D - quanto menos terceirizada melhor e treinamentos internos e para transferência de tecnologia, além do histórico da empresa e o objetivo do projeto. O especialista ressalta, ainda, que apesar das necessidades de informações completas, bem como documentação, o projeto deve ser o mais objetivo possível. “O projeto não é pesado, é analisado”, brinca. 

Na parte final do encontro foi promovida uma atividade para avaliação de dois projetos fictícios, o de um Hotel Sustentável - não inovador e com incongruências - e de uma empresa calçadista, com projeto mais robusto e que foi aprovado.