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Câmbio derruba as exportações de calçados em janeiro

O primeiro mês do ano não trouxe boas notícias para os exportadores brasileiros de calçados. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), os embarques caíram 1,2% tanto em receita como em pares na relação com igual mês de 2017, encerrando o período com 11,24 milhões de pares exportados que geraram US$ 80,4 milhões.

O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, lamenta, mas diz que a queda não é surpreendente. “Tivemos uma valorização muito relevante do real ante o dólar nos últimos meses de 2017, o que tornou o nosso produto menos competitivo no exterior”, avalia o executivo, ressaltando que o dólar americano na faixa de R$ 3,20, como chegou a ser registrado nos últimos meses do ano passado, prejudica, em muito, a competitividade, especialmente em mercados mais sensíveis ao preço, como os Estados Unidos. “Os norte-americanos, historicamente os principais consumidores de calçados brasileiros no exterior, diminuíram suas compras em função do valor médio do nosso produto”. No primeiro mês do ano foram embarcados para os Estados Unidos 919,4 mil pares que geraram US$ 11,93 milhões, quedas de 29,3% e 25,4%, respectivamente, no comparativo com janeiro de 2017. “O câmbio, para um país com alto custo de produção como o nosso, acaba sendo um compensador para concorrer em pé de igualdade no exterior. Então qualquer oscilação acaba sendo fundamental e tem reflexo imediato nas vendas”, acrescenta.

A notícia positiva do primeiro mês foi a França, que ultrapassou a Argentina como segundo destino internacional do calçado verde-amarelo. No mês passado os franceses importaram 1,85 milhão de pares por US$ 11,51 milhões, altas de 27,3% e de 27,6%, respectivamente, em relação ao mês um de 2017.

Já a Argentina, historicamente o segundo maior mercado além-fronteiras, encolheu suas compras. Em janeiro, os hermanos importaram 340,26 mil pares que geraram US$ 5,72 milhões, quedas de 16,8% em volume e de 17,5% em receita em relação a janeiro de 2017. “Na Argentina, além da questão cambial, temos uma queda na demanda interna, o que também refletiu nos números”, avalia Klein.

Estados
Em janeiro, o Rio Grande do Sul foi o maior exportador brasileiro de calçados, embarcando 1,86 milhão de pares que geraram US$ 34,66 milhões, queda de 3,1% em volume e alta de 4,1% em receita no comparativo com o mesmo mês do ano passado.

O segundo exportador do período foi o Ceará, de onde partiram 5 milhões de pares que geraram US$ 24,18 milhões, incremento de 4,3% em pares e queda de 2,7% em dólares em relação a janeiro de 2017.

No terceiro posto, São Paulo também registrou queda tanto nos embarques como em receita gerada. Em janeiro, os paulistas exportaram 396,7 mil pares que geraram US$ 6,73 milhões, baixas de 43% e 21,5%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado.

Importações em alta

Se, por um lado houve queda nas exportações de calçados, a curva inversa foi registrada nas importações. Favorecidas pela desvalorização do dólar sobre a moeda brasileira, o que torna o produto estrangeiro mais barato no mercado interno, as importações chegaram a US$ 40 milhões (receita advinda de 2,9 milhões de pares), incrementos tanto em receita (11,8%) como em pares (12,3%) no comparativo com o mês de janeiro de 2017.

As principais origens foram os países asiáticos: Vietnã, que embarcou 1,35 milhão de pares para o Brasil, pelos quais foram pagos US$ 24 milhões, aumentos de 15,2% e 11,1%, respectivamente; Indonésia, com 401 mil pares e US$ 6,8 milhões, altas de 8,4% e 12%; e China, com 882,47 mil e US$ 3,5 milhões, incremento de 35,1% em volume e queda de 14,7% em dólares na relação com mesmo mês de 2017.

Em partes de calçados – cabedais, palmilhas, saltos, solas etc – as importações de janeiro também registraram aumento, chegando a US$ 7 milhões (33,7% mais do que em 2017). As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.

 

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