Notícias

Calçadistas avaliam 2019 e fazem projeções

Após um período difícil, o setor calçadista começou sua recuperação em 2019. Apesar de graduais, os efeitos já puderam ser sentidos, com a produção crescendo 1,8% entre janeiro e novembro (dado mais atual) em relação ao mesmo período do ano passado. A performance, conforme a Abicalçados, foi puxada pelas exportações. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o mercado doméstico, que representa mais  e 85% das vendas do setor calçadista, andou de lado em 2019. Até outubro, segundo o IBGE, as vendas do varejo ficaram estáveis, mas apontando para uma leve recuperação no mês 10, de 2,5% em relação ao seu correspondente de 2018.

Já as exportações, que alcançaram 114,5 milhões de pares em 2019, foram impulsionadas pelos Estados Unidos, principal destino do calçado brasileiro no exterior. No período, os norte-americanos importaram 11,9 milhões de pares, 10,5% mais do que em 2018. “O resultado teve influência direta da guerra comercial instalada contra a China, que fez com que os importadores locais passassem a importar de países alternativos ao asiático em função das sobretaxas aplicadas”, explica Ferreira. Por outro lado, o dirigente ressalta que o resultado dos embarques totais poderia ter sido ainda melhor, não fosse a crise da Argentina, segundo mercado internacional para o calçado brasileiro. “Não fosse a queda das exportações para a Argentina, teríamos logrado um resultado muito melhor, comenta, destacando a grave crise pela qual passa o país, com queda generalizada no consumo de calçados.

Emprego
Conforme dados elaborados pela Abicalçados, o setor terminou novembro gerando 282 mil postos de trabalho, 1,1% menos do que no mesmo período de 2018. “Apesar disso, desde dezembro de 2018 a indústria calçadista criou quase 10 mil postos, o que apontou para uma recuperação gradual ao longo do ano”, avalia o executivo.

Atraso
Para Ferreira, o atraso da Reforma da Previdência foi um dos fatores que prejudicaram o desempenho ao longo do ano. “No início de 2019, tínhamos uma expectativa melhor, de recuperação da confiança do mercado e do consumidor. Porém, o atraso na Reforma da Previdência, que por consequência acabou empurrando a Tributária para 2020, acabou frustrando um pouco o ânimo”, comenta, ressaltando que, mesmo com as dificuldades, o setor calçadista segue registrando crescimento acima da Indústria de Transformação — que andou de lado em 2019 — e até mesmo da previsão do PIB do ano (1,12%).

Projeções
As mudanças na macroeconomia e na dinâmica do mercado doméstico fizeram com que a Abicalçados revisasse a projeção de crescimento da produção em 2019, que ficará entre 1,1% e 1,8% (a previsão no início do ano era de crescimento de 3%). Para 2020, a projeção do setor é otimista, embora com o “pé na realidade do mercado”. “Não será um grande crescimento. Diferentemente de 2019, esse crescimento deve vir do mercado doméstico e não das exportações”, projeta Ferreira, ressaltando os problemas na Argentina, que devem dificultar ainda mais as exportações para aquele país. “No mercado interno, já notamos, nesses últimos meses, uma retomada na confiança do consumidor, o que deve refletir positivamente no aumento da demanda”, acrescenta.

Pautas
Para o próximo ano, o dirigente destaca que a pauta dos calçadistas seguirá sendo a redução do Custo Brasil, que engloba alta carga tributária, custos elevados com logística e burocracia, entre outros. “O próprio Governo Federal encomendou um estudo que aponta que o Custo Brasil absorve 22% do PIB brasileiro, ou mais de R$ 1,5 trilhão. Percebemos um esforço no sentido de redução desses custos, que prejudicam historicamente a nossa competitividade. Porém, sabemos que isso não acontece da noite para o dia e por isso estamos atentos e levando os nossos pleitos para os poderes públicos constantemente”, ressalta, acrescentando que o Governo, pelo viés liberal, vem buscando a redução dos custos para dar oportunidade a uma maior abertura econômica do País. “Estamos atentos a esses movimentos. Não somos contrários, porém a abertura deve ser precedida de uma redução correspondente do Custo Brasil”, conclui.

O setor mantém no radar a manutenção da desoneração da folha de pagamentos no modelo atual (excluindo as receitas com exportações da contribuição sobre a receita bruta de 1,5%), o restabelecimento da alíquota do  Reintegra em 3%, entre outras pautas.