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Abicalçados participou da Semana do Calçado 2018


A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) participou, entre os dias 16 e 27 de setembro, da Semana do Calçado 2018. Nesta edição, a entidade promoveu o FF Meeting, o Análise de Cenários e o FF Exchange. 

A primeira ação envolvendo a Abicalçados ocorreu no dia 24 de setembro, na sede do IBTeC, em Novo Hamburgo/RS. O FF Meeting, realizado em parceria com Abrameq, Assintecal e CICB, contou com uma apresentação de Neori Paim, da Master Equipamentos Industriais, sobre a indústria de calçados portuguesa. Na oportunidade, o empresário destacou que este país tem produção anual de 83 milhões de pares, principalmente de couro, sendo 95% desta exportada para mais de 150 países, especialmente da Europa. Apresentando-se como indústria tradicional, embora com uma visão futurista, estima-se que a produção daquele setor cresça entre 25% e 30% até 2020. Nos últimos três anos, segundo ele, a produção portuguesa cresceu 60%. 

Paim observou que as visitas a fábricas de sapatos de Portugal possuem um sistema de produção semelhante ao brasileiro, com predominância de lotes menores. Quanto à automação, destacou que ela está mais presente na entrada e na saída da fábrica. Salientou ainda a preocupação dos portugueses em atrair os jovens para a indústria calçadista, o que pode ser alcançando principalmente através de um espaço aberto para a criatividade.

No segundo momento, Carlos Alberto Fadul Corrêa Alves, diretor-executivo da Fundação Certi, ressaltou que antes de pensar em Indústria 4.0 é necessário que a empresa faça o dever de casa e saiba o que precisa para competir globalmente. Neste sentido, sublinhou que deve ser observado se é possível fazer mais com menos, fazer certo da primeira vez, trabalhar com inovação e sustentabilidade. Acrescentou que não basta um bom produto, sendo necessário ter um bom processo. Sem isto, a empresa não será competitiva. Afirmou ainda que inovação deve adicionar competitividade para ter propósito. 

Nesta linha de pensamento, Fadul enfatizou que “o primeiro ponto é saber com quem eu quero competir e qual o custo que preciso ter para isto. Então, somente interessa a indústria 4.0 nos pontos em que ela contribuir para que este objetivo seja alcançado”. Finalmente, o palestrante recomendou que o fabricante de máquinas seja o consultor para que sejam alcançadas redução dos custos na produção de sapatos.

Ao final, houve um debate, com a participação de Carlos Martini, coordenador do GT Indústria 4.0 do Conselho de Inovação e Tecnologia – CITEC (FIERGS), mediado por Marlos Schmidt (presidente da Abrameq), e também com os palestrantes Neori e Fadul.

Análise de Cenários
Os cenários econômicos doméstico e internacional foram pauta de encontro com empresários e representantes de entidades setoriais durante o Análise de Cenários, realizado no dia 25 de setembro, no Locanda Hotel, em Novo Hamburgo/RS. O encontro iniciou com a exposição do doutor em economia Marcos Lélis, que falou sobre o panorama nacional, a influência da volatilidade cambial, a crise argentina e as perspectivas a médio e curto prazos para a economia brasileira. Segundo o especialista, existe um desaquecimento na demanda interna, que ganhou força a partir do início de 2018, depois de ter dado a “sensação de recuperação” em 2017. “No ano passado, especialmente no primeiro trimestre, tivemos a super safra, que fez com que o PIB crescesse, dando uma sensação de recuperação econômica, o que não se consolidou. Foi muito confete para pouca festa”, destacou, ressaltando que ao fato foi somada a liberação das contas inativas do FGTS. Assim, a previsão de crescimento do PIB nacional para 2018 caiu de 3% para 1,3%.

Para Lélis, outro fato que tem segurado a economia brasileira é a diminuição do crédito no mercado, especialmente o concedido por bancos públicos, como BNDES e Caixa Econômica Federal. “O fluxo de liberação de crédito público caiu de R$ 216 milhões, em janeiro de 2016, para menos R$ 83 milhões em julho deste ano”, disse, acrescentando que o fato não se repete com o financiamento privado, mas que a maior parte deste é para rolagem de dívidas antigas e não crédito novo. “Enquanto não tivermos crédito público no mercado, não teremos condições de recuperação da demanda”, projetou.

Segundo o economista, a taxa de subutilização da força de trabalho brasileira, na casa de 24%, também tem sido um empecilho para a recuperação econômica sustentável. “Além disso, a qualidade dos empregos gerados também é muito ruim, a maior parte é sem carteira assinada, o que prejudica a demanda”, ressaltou.

A inflação de preços administrados pelo Governo – especialmente gasolina e energia elétrica – também foi citada pelo economista. Em maio de 2014, a inflação desses produtos estava em 6,9%, número que passou a 9,5% no mês passado, puxando a média para 4,2%, muito próximo da meta de 4,5%. “Com isso, o Banco Central já fala em aumentar a taxa de juros Selic, o que vai dificultar ainda mais a recuperação”, acrescentou Lélis.

Também dificulta a sustentabilidade do crescimento econômico, a volatilidade cambial, provocada pela menor liquidez no mercado internacional, o aumento dos juros nos Estados Unidos – que provoca fuga de dólares dos países emergentes, caso do Brasil –-, a guerra comercial entre os norte-americanos e a China, além das incertezas acerca do pleito de outubro. “Esse é o pior momento possível para uma guerra tarifária, fato que tem provocado instabilidade no mercado internacional”, disse. Para ele, no entanto, o quadro pode mudar em novembro, com a eleição para o Congresso norte-americano. Os republicanos, segundo o doutor em economia, tendem a perder força, o que pode frustrar a política protecionista do presidente Donald Trump e, consequentemente, arrefecer a guerra comercial em curso.

Lélis ressaltou, ainda, que a crise na Argentina não deve perder força a curto e médio prazos. Segundo ele, a desvalorização da moeda local, somada ao aumento dos juros básicos – hoje em 60% – tendem a aumentar a recessão no país vizinho, influenciado nas exportações brasileiras para lá. “A inflação de 34% ao mês é outro impeditivo para o aumento da demanda argentina”, explicou.

Na segunda etapa do evento, a coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck, detalhou um panorama para o setor calçadista, tanto no ambiente doméstico como internacional. Segundo ela, existe uma queda na produção, impulsionada sobretudo pela menor demanda doméstica – que absorve 86% do total produzido pela indústria calçadista. No segundo semestre, a produção caiu 4,8%. “As exportações também não têm ajudado, com queda acumulada de mais de 10% no comparativo entre janeiro e agosto de 2018 com o mesmo período do ano passado”, pontua. A queda, segundo Priscila, foi provocada especialmente pela menor importação de calçados pelos Estados Unidos, que tem substituído seus fornecedores, especialmente pelo Vietnã e México e recentemente pela crise da Argentina, principal mercado internacional para o produto nacional.

Após a apresentação do quadro de dificuldades para a indústria calçadista, o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, ressaltou que o momento é de investimento em inovação e de sair da zona de conforto. “Apesar do quadro, hoje temos um setor capitalizado. Mesmo com a adaptação ao momento, fechamento de unidades, não verificamos volume significativo de fechamento de empresas. A China, por exemplo, vem despencando sua produção de calçados na casa de 300 milhões por ano. Os países asiáticos periféricos, que viram sua atividade crescer nos últimos anos, especialmente a partir de investimentos chineses, também têm um limite de crescimento”, disse.

Segundo Klein, atualmente, dois dos principais concorrentes para o calçado brasileiro no exterior são Portugal e México, especialmente o primeiro. “Temos que prestar atenção no que acontece em Portugal, que tem trabalhado fortemente em um upgrade da indústria, incorporado tecnologia. É o momento de fazermos o mesmo, trabalhando com empenho na estratégia de inovação”, concluiu o dirigente.

FF Exchange
Encerrando a participação da Abicalçados na Semana do Calçado, ocorreu as rodadas de negócios FF Exchange, promovida em parceria com a Abrameq, Assintecal e CICB. O evento aconteceu no dia 27, na sede do IBTeC, e reuniu oito âncoras - sete calçadistas e uma empresa de componentes para calçados - e nove fornecedores de Gestão e Tecnologia da Informação, E-commerce e Manufatura Avançada. A gestora de Projetos da Abicalçados, Roberta Ramos, destacou que, nesta edição, o evento teve a parceria do Sebrae, que apoiou com os fornecedores do Projeto Digital Moda. “Tanto as âncoras como os fornecedores saíram satisfeitos do evento, que é uma tendência moderna, de otimização do tempo para a realização de negócios”, comentou. A avaliação é corroborada por alguns dos participantes, caso da Bebecê. Segundo Tiago Silva, do departamento de Tecnologia da Informação da empresa, o evento proporciona uma maior assertividade nos contatos, além de economia de tempo. “Não conseguiríamos atender todos os fornecedores que atendemos aqui em um curto espaço de tempo”, avaliou.

Para o gestor de Tecnologia da Informação da Dakota, Claiton Staudt, o evento cumpriu o propósito. “Aqui é apenas um primeiro contato, de forma introdutória e resumida. Posteriormente, conversaremos com alguns dos fornecedores que nos chamaram a atenção”, contou Staudt. 

A otimização do tempo também foi destacada pelo supervisor de Engenharia da Grendene, Rodrigo Calloni. Pela primeira vez participando do FF Exchange, o gestor ressalta a importância da iniciativa, pelo dinamismo e o tempo para apresentação, que faz com que tanto as âncoras como os fornecedores estejam mais focados na realização de negócios. “Certamente, aprofundaremos o contato com pelo menos dois dos fornecedores que passaram nesta rodada”, adiantou. 

Semana do Calçado
Promovida pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), a iniciativa abrange uma série de atividades promovidas pelas entidades representativas da cadeia coureiro-calçadista nacional e tem por objetivo desenvolver a atividade por meio de capacitação e informação qualificada, além de promover negócios.