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Abicalçados aponta caminhos para a Indústria 4.0

Necessidade fundamental para a competitividade da indústria da manufatura, a Indústria 4.0 foi tema de evento promovido na manhã de hoje, dia 26, na sede da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), em Novo Hamburgo/RS. O encontro tratou de apresentar oportunidades de atualização tecnológica e aplicação de tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 no setor calçadista, bem como possibilidades de captação de recursos disponíveis para inovação. 

O consultor de Inovação da Abicalçados, Alexandre Peteffi, ressaltou que existem linhas de fomento e financiamento disponíveis para a indústria calçadista, mas que são pouco acessadas. “Hoje, apenas 1% de todos os recursos disponíveis para projetos de inovação no Brasil são utilizados pelo setor”, disse. Segundo ele, para auxiliar as empresas na elaboração de projetos, trâmites e negociação com as agências de fomento, a Abicalçados criou o FF Captação de Recursos. “O serviço, que é exclusivo para associados da entidade, só será remunerado em caso de sucesso”, explicou. 

Inovacred 4.0
O evento também contou com a apresentação da Inovacred 4.0, nova linha de financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para inovação com ênfase na manufatura avançada. A linha reembolsável está disponível com taxas que variam de 5,95% a 6,95% ao ano. A ferramenta é voltada para projetos de digitalização que abarquem a utilização de serviços de implantação de tecnologias da Indústria 4.0. Podem participar empresas com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões por ano. 

O analista da Finep, Bruno Camargo, explicou que a linha será operacionalizada por 18 agentes de fomento em todo o País, financiando serviços para a aplicação dos conceitos da Indústria 4.0, através de integradores que estão sendo credenciados pela Finep. Os projetos desenvolvidos devem envolver, pelo menos, duas tecnologias dentro do escopo de Internet das Coisas (IoT), computação na nuvem, big data, segurança digital, manufatura aditiva, manufatura avançada, integração de sistemas, digitalização, sistema de simulação, robótica avançada e Inteligência Artificial.

Operador da linha Inovacred 4.0 na Região Sul do Brasil, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) foi representado pelo gerente de Planejamento Alexandre Leizke, que falou sobre o banco e a oportunidade de operacionalizar recursos da Inovacred 4.0. 

Concorrência
O consultor de empresas e executivo do APL Automação, Ciro Copello, falou sobre as mudanças no mercado de calçados e as demandas da indústria calçadista para se manter competitiva, especialmente frente aos desafios da concorrência internacional, especialmente a asiática. “Na década de 1980, empresas não tinham tanta necessidade de variedades de modelos e os lotes eram maiores. Conheci recentemente uma empresa que, em um dia, precisou desenvolver 175 modelos diferentes”, comparou. Para ele, a indústria calçadista precisa investir, e pesado, em tecnologia, qualificação e conhecimento, para a própria sobrevivência. 

Prática
Com o objetivo de tangibilizar a Indústria 4.0, o encontro teve ainda a apresentação de cases da Easy Pro, que criou o Easy Control, sistema que faz o cálculo de eficiência de máquinas e equipamentos em tempo real. (o chamado cálculo OEE - Disponibilidade, Produtividade e Qualidade). Multiplataforma, a ferramenta já foi implantada em unidades da Bebecê e da Ssalttec, com registro de ganhos de produtividade, diminuição de retrabalho por erro humano, entre outros. 

O software Drakkar, que faz todo o gerenciamento industrial usando tecnologia wireless para coleta de dados de máquinas e equipamentos, inclusive as que não possuem controle automatizado, foi o case apresentado pela Spheric. Além do OEE, a ferramenta permite a manutenção preditiva, com controle de vibração, temperatura e corrente elétrica, com integração possível em smartwatches, Whatsapp e Telegram, agilizando processos de setup e gerando economias significativas em custos para consertos de equipamentos. 

IoT
Os recursos aprovados e já disponíveis para projetos de IoT através do Edital lançado pelo BNDES foram tema da apresentação de Victor Gomes, gerente de Operações do Instituto Senai de Inovação em Metalmecânica. O projeto prevê R$ 7,6 milhões para fomento de projetos de inovação na área de Iot e não é reembolsável, porém exige investimento de 50% do valor do projeto por parte da empresa. “Tenho um projeto de R$ 1 milhão. O BNDES IoT investirá R$ 500 mil. Mas não tenho os outros R$ 500 mil. Então, é por isso que a Finep e o BRDE estão aqui hoje. Conversem com eles, mas não deixem passar essa oportunidade”, frisou. 

Para mais informações sobre linhas de financiamentos disponíveis ou para auxílio na elaboração de projetos de inovação, contate a Abicalçados através do e-mail inova@abicalcados.com.br